segunda-feira, julho 31, 2006
Por quê?
Sentimentos são escondidos ou fingidos.
Uma longa tortura é feita ao tentar passar a idéia de que sente algo, mas na verdade tudo de bom já acabou faz tempo.
Por que não dizer logo que não dá mais para continuar, que suas teorias estavam erradas, que muitas coisas antes ditas agora não valem nada? Por que não admitir que errou logo de uma vez?
Pois é, tem coisas que o ser humano não consegue fazer, não tem essa capacidade.
Que tal usar uma força extra para melhorar e parar de mentir a torto e a direito.
Por Paula Cabral Gomes
(feliz por ser forte nos momentos que deveriam ser terríveis)
Greve!
Elis (capturando aranhas virtuais)
quinta-feira, julho 27, 2006
Metalinguagem
Sylvia estava sentada em sua poltrona preferida, assistindo um daqueles clássicos noir. Os últimos dias foram bem calmos, sem investigações ou matérias relevantes. Sinceramente, ela sentia-se entediada. O interfone tocou. Sylvia levantou-se e atendeu.
– Dona Sylvia, chegou um pacote pra você. Daqueles que tem que assinar.
– Estou descendo.
O pacote internacional fora enviado por um velho amigo sérvio. Sylvia vivera algumas aventuras com ele. Contudo, normalmente ele mandava um e-mail, nunca um pacote. Ela abriu o envelope. Belas fotos do país. Algumas antigas, nas quais ela aparecia ao seu lado. Dragan era um homem intrigante, alguém que ela realmente sentia falta. Além das fotos, uma pequena escultura religiosa e um convite: “Venha me visitar. Tenho um mistério para você”. Sylvia kerflummoxes.
–Eu o quê?
Kerflummoxes.
– Que diabo é isso?
Não existe uma tradução literal, seria algo como “pensa de forma compenetrada”.
– Por que você coloca uma palavra sem tradução? Deixa de fazer gênero!
É um neologismo criado por um autor interessante. Achei que caberia aqui.
– Inventa um próprio. Ficar copiando outro! E ainda se diz minha autora!
Está bem, que tal: Sylvia concempensa.
– Prefiro kerflummoxes.
Você não merece kerflummoxes. Agora me deixa continuar a história.
– Você é uma tirana, sabia?
Se eu fosse, não deixaria você continuar falando. Aliás, você não está falando, eu estou escrevendo o que quero.
–Sei! E qual a função dessa discussão?
Mostrar como você é chata, agora vê se pensa se vai ou não!
– Se é você a autora, escolhe.
Está bem. Sylvia correu para o quarto, não pensaria duas vezes antes de encontrar Dragan. Além disso, não podia resistir a palavra mistério. Tudo que precisava era ligar para seu editor e avisar que iria viajar.
– Sérgio, vou viajar por uns dias, talvez um mês. Segura as pontas pra mim, ok?
– Desculpe Sylvia, mas o jornal precisa de você. Temos uma matéria sobre o movimento das donas de casa e você é a única jornalista disponível.
– Ah, não. Isso é brincadeira. Movimento das donas de casa? Eu tô indo pra Belgrado!
Não está não. Quem mandou me irritar. Agora agüente.
terça-feira, julho 25, 2006
Moralismo e politicamente correto
Tudo isso parte da idéia de que a infância deve ser extendida. Pessoal, 12 anos não é criança. É exatamente a fase em que a transição para o adulto começa. Tá, não vou defender usar drogas aos 12 ou transar com essa idade, mas sim começar a discutir o assunto com essa idade. Existe também o saudosismo seletivo. "Ah, no meu tempo os desenhos eram educativos..." super educativos: she-ha, He-man, Xuxa tirando a roupa... Isso para não falar de nossas cantigas de infância. A educação se dá pela convivência com o certo e COM O ERRADO. Assimilando diferentes conceitos e tendo esses conceitos explicados por adultos. Isolar a nova geração da violência, do sexo e das drogas só vai criar crianças grandes alienadas que (invariavelmente acontece) quando forem expostas ao mundo real não saberão lidar com ele.
Elis (Absolutamente assustada com essa nova onda de moralismo e politicamente correto e inspirada por uma conversa em Atibaia.)
Vou deixar um textinho do Cony para fechar:
O pau e o gato
By Carlos Heitor Cony 19/11/2004
Já haviam me dito, mas não acreditei, ou melhor, não dei importância. A turma que se esbofa para tornar a sociedade politicamente correta, que já mudou a designação de mudos, surdos, cegos, impotentes, carecas, gagos etc., chegava até mesmo ao cancioneiro infantil. Não se devia mais cantar o "Atirei o pau no gato", seria politicamente incorreto habituar as crianças a maltratar os animais.
Numa festinha de aniversário do prédio vizinho, ouvi de longe a versão feita para a musiquinha que todos aprendemos na infância. Não deu para entender quase nada, ninguém atirava pau no gato nem dona Chica admirou-se do berro que o gato deu. Era uma coisa complicada, peguei palavras que nada tinham com a letra original, o pau foi substituído por uma flor e o berro final foi trocado: em vez de "miau", o gato dizia "obrigado".
Dona Chica também foi trocada por uma respeitável, uma inacreditável "Dona Francisca". E ela nem ficou admirada do berro que o gato deu, embora agradecendo a flor que lhe fora atirada. Dona Francisca foi modesta como convinha a um personagem politicamente correto. Respondeu com educação: "Não há de quê"
Embora pertença a uma geração que cantou para si e para as filhas a mesmíssima cantiga, Deus é testemunha de que não costumo jogar pau nos gatos. E uma de minhas filhas, que mora em Roma, cidade com fartura de gatos, tem em casa uma porção deles e os trata com desvelo e rações dinamarquesas --que parecem ser as melhores.
Se já tinha motivos bastantes para desprezar o politicamente correto, ganhei mais um --e acredito que definitivo. Gosto de ouvir gatos fazendo miau.
Carlos Heitor Cony é romancista e cronista, é também colunista da Folha. Escreve para a Folha Online às terças
sexta-feira, julho 14, 2006
BICHO HOMEM*
É o único que fala mais que o papagaio
É o único que gosta de escargots (fora, claro, o escargot).
É o único que acha que Deus é parecido com ele.
E é o único...
...que se veste
...que veste os outros
...que despe os outros
...que faz o que gosta escondido
...que muda de cor quando se envergonha
...que senta e cruza as pernas
...que sabe que vai morrer
...que pensa que é eterno
...que não tem uma linguagem comum a toda espécie
...que se tosa voluntariamente
...que lucra com os ovos dos outros
...que pensa que é anfíbio e morre afogado
...que tem bichos
...que joga no bicho
...que aposta nos outros
...que compra antenas
...que se compara com os outros.
O homem não é o único que alimenta e cuida de suas crias, mas é o único que usa isso para fazer chantagem emocional.
Não é o único que mata, mas é o único que vende a pele.
Não é o único que mata, mas é o único que manda matar.
E não é o único...
...que voa, mas é o único que paga por isso
...que constrói casa, mas é o único que precisa de fechadura
...que foge dos outros, mas é o único que chama isso de retirada estratégica
...que trai, polui e aterroriza, mas é o único que se justifica
...que engole sapo, mas é o único que não faz isso pelo valor nutritivo [...]
Luís Fernando Veríssimo
* Esse não é o título original
quinta-feira, julho 13, 2006
Novos ataques e a cidade

Ônibus Queimado (Folha Imagem)
Qual a grande diferença para um dia normal? Medo de ir ao banco e incendiarem a agência? Ora, antes podíamos presenciar um assalto. Alguém ouviu sobre alguma vítima civil nos ataques aos bancos? Medo de pegar ônibus? Agora falta ônibus, mas antes o veículo podia ser assaltado. Minha madrasta teve uma arma apontada para sua cabeça há 5 anos num ônibus. E transporte na cidade sempre foi ruim. PCC? O crime já domina as esquinas de São Paulo há tanto tempo que o paulistano só se tocou que agora é um pouco mais "as claras". A imprensa diz que em 2 dias foram 106 ataques. Agora, a imprensa não diz quantos assaltos e assassinatos ocorrem todos os dias na cidade. Se eu tiver que apostar, muito mais que 106.
Ou seja, a vida continua em São Paulo. Pessoas tentam chegar ao trabalho e olham por cima dos ombros como todos os dias. Só que é um pouco mais difícil encontrar transporte. E cá entre nós, já sabíamos que isso aconteceria de novo. Uma vez que aprenderam a fazer a cidade refém, era muito óbvio que fariam de novo.
Elis (imitando os meninos: ouvindo David Bowie - Ziggy Stardust)
sexta-feira, julho 07, 2006
Férias
