por Paula Cabral Gomes

Amy Lee encanta com sua voz e simpatia
No sábado, dia 21 de abril de 2007, a banda norte-americana Evanescence fez show para cerca de 25 mil pessoas no Parque Antártica, zona oeste de São Paulo. Os fãs, que aguardavam a vinda da banda desde o lançamento do primeiro cd no Brasil em 2003, passaram por sol e chuva e grandes filas (as quais quase davam a volta no estádio), mas, como recompensa, ouviram e cantaram 16 músicas, entre elas os grandes sucessos do primeiro cd Fallen (2003), Bring me to life e My immortal, e do segundo The Open Door (2006), Call me when you’re sober e Lithium.
De qualquer forma, o grande número de pessoas e o tempo de espera não assustaram nenhum fã. “A sensação de entrar no estádio para assistir a um show é único, principalmente quando você percebe que você e mais ‘x’ mil pessoas irão curtir a mesma banda juntos! A espera até o início do show é necessária, pois só aumenta a ansiedade e a expectativa, o que torna muito mais emocionante”, garante Cíntia Kajiwara, 21, estudante de Química.
Amy Lee encanta com sua voz e simpatiaAo entrarem no palco, às 21 horas, a chuva que caia desde às 17, quando os portões foram abertos, e que não cessou durante as apresentações das bandas Luxúria (Brasil) e Silicon Fly (Uruguai), parou dando um pouco mais de conforto aos fãs, até então vestidos com capas plásticas, os quais se amontoavam na pista e ocupavam a arquibancada. “A chuva só atrapalhou na espera das bandas, mas depois foi tranqüilo. É uma sensação muito boa ver todas as pessoas cantando e vê-la de perto”, afirma o estudante de Educação Física, Vitor Augusto Kawauchi, 20.
Amy Lee, 25, vocalista e pianista do grupo, levou o grande público, formado em sua maioria por adolescentes vestidos de preto, à histeria quando tocou sozinha ao piano, sem guitarras e bateria pesada, as músicas Good Enough e My immortal. Celulares e isqueiros iluminaram o estádio levando alguns meninos e meninas aos prantos.
A voz da cantora, ao vivo, impressiona sem deixar a desejar com relação às gravações feitas em estúdio. Além disso, sua simpatia cativa e seu desempenho no palco encanta a todos. Os outros integrantes da banda, John LeCompt (guitarra), Terry Balsamo (guitarra), Tim McCord (baixo) e Rocky Gray (bateria) dão ainda maior valor à apresentação pela qualidade do som. No fim da apresentação, os músicos voltaram ao palco e arremessaram ao público palhetas e baquetas. “A vocalista, Amy, canta muuuuuito e além disso é muito simpática. O show ultrapassou minhas expectativas, adorei do começo ao fim!”, disse Cíntia Kajiwara.
Mesmo contando com a presença de 25 mil pessoas, ainda restaram 10 mil ingressos (o preço variava de R$ 120, a arquibancada, a 180, a cadeira coberta). Uma das causas da venda falha deve-se à vinda de outras bandas estrangeiras a São Paulo no mesmo mês (Aerosmith e Keane), cujos ingressos custaram em torno de R$ 140, assim obrigando grande parte do público a escolher entre um e outro. “Faltou lotar o estádio!”, reclama Kawauchi.
Grupo gothic metal passa pelo Brasil durante sua "EV World Tour"Quem chegou no dia ao estádio, conseguiu ver todo o espetáculo a poucos metros daqueles que acamparam cerca de dez dias em frente aos portões. Metade da pista foi ocupada e nas arquibancadas a lotação também não foi máxima.
Muitos reclamaram da duração do show, acharam que foi curto demais. Já para outros, ficou o gostinho de quero mais, porém acreditaram que a apresentação teve a duração exata e foi perfeita.
Organizando-se por meio de uma comunidade no Orkut chamada Evanescence Brazil, os fãs planejaram soltar bexigas brancas durante a execussão da música Lithium.
A EV World Tour, além de passar por São Paulo (21), também colocou em seu trajeto as cidades de Porto Alegre (17), Curitiba (19) e Rio de Janeiro (22).
Confira o set list do show de São Paulo:
1. "Sweet Sacrifice" ("The Open Door")
2. "Weight of the World" ("The Open Door")
3. "Going under" ("Fallen")
4. "The only One" ("The Open Door")
5. "Lithium" ("The Open Door")
6. "Good Enough" ("The Open Door")
7. "Haunted" ("Fallen")
8. "Tourniquet" ("Fallen")
9. "Call me When You´re Sober" ("The Open Door")
10. "Imaginary" ("Fallen")
11. "Bring me to Life" ("Fallen")
12. "Whisper" ("Fallen")
13. "All That I'm Living for" ("The Open Door")
14. "Lacrymosa" ("The Open Door")
15. "My Immortal" ("Fallen")
16. "Your Star" ("The Open Door")
Evanescence – Biografia:
O Evanescence, formado em Little Rock (Arkansas, EUA), surgiu da amizade entre Amy Lee e Ben Moody, que se conheceram na adolescência num acampamento de jovens no qual Moody viu Amy cantar ao piano e se encantou. Assim, resolveu convidá-la para formar uma banda. O primeiro sucesso da banda tocou em uma rádio local por vários dias seguidos e fez com que a dupla ficasse conhecida na região e começasse a surgir convites para tocar. Só tinha um problema: o grupo era formado apenas pelos dois e não tinham dinheiro para contratar músicos. Dessa forma, os outros dois integrantes, John LeCompt (guitarra) e Rocky Gray (bateria), se juntaram à banda, abrindo a possibilidade de apresentações ao vivo e o aumento da popularidade da banda até ser contratada por uma grande gravadora.
A prova do ótimo entrosamento de Amy e Moody foi o primeiro trabalho, o cd Fallen (2003), o qual veio cheio de emoção, peso e energia. Foi produzido por Dave Fortman e o primeiro single, Bring Me To Life, virou um hit. A música fez parte da trilha sonora do filme Demolidor – O homem sem medo e ajudou a banda a divulgar seu trabalho.
Bem Moody, durante uma pausa na turnê do grupo, decidiu deixar a banda em 2003. O guitarrista pegou um avião de volta pra casa, sem falar nada pra ninguém. Amy Lee ficou indignada, criticou o companheiro e logo Terry Balsamo substituiu Moody.
O sucesso do álbum rendeu à banda dois prêmios Grammy em 2004: Melhor Performance Hard Rock e Melhor Revelação. Nesse mesmo ano, foi lançado o cd e dvd ao vivo Anywhere but Home e em 2006, a banda lançou The Open Door, seguido de uma grande turnê mundial. Nesse álbum, está o sucesso Call Me When You're Sober, cuja letra é inspirada no relacionamento de Amy Lee com seu ex-namorado, Shaun Morgan, da banda Seether. Para terminar, o baixista Will Boyd resolveu sair porque não queria encarar mais uma longa turnê. No lugar dele, entrou Tim McCord.
De qualquer forma, as raízes de Amy na música clássica continuam sendo uma constante na música da banda. Além disso, há as influências góticas que funcionam tanto com introspecções lideradas pelo piano como com riffs de guitarra, que obviamente agradam o público mundialmente.



