quarta-feira, outubro 31, 2007

Feliz Dia do SACI !!!

Data nacional para celebrar o imaginário popular e infantil brasileiro

O quê? Dia do Saci?
Sim, hoje é dia dessa figura que muitas vezes assuntava as criancinhas no dia do folclore nas escolas.
Professoras nos obrigavam a pintar desenhos dele, da mula sem cabeça, do curupira, da sereia etc. e depois nos fazia levar para casa as figuras abomináveis que não nos deixavam dormir.
Minha irmã é traumatizada por isso até hoje. Eu tenho medo do Papai Noel e de palhaço, mas essa é outra história.


Bom, vamos ao assunto!

De acordo com o site http://www.cultura.gov.br/noticias/noticias_do_minc/index.php?p=12726&more=1&c=1&pb=1:

O Dia do Saci (31 de outubro) está oficialmente instituído nos âmbitos municipal e estadual de São Paulo, onde vários eventos vêm acontecendo. Para que a data seja estendida a todo o território nacional, os Projetos de Lei 2479/2003 e 2762/2003 de autoria, respectivamente, dos deputados Ângela Guadagnin (PT/SP) e Aldo Rebelo (PCdoB/SP) tramitam em conjunto na Câmara dos Deputados, já tendo conseguido aprovação na Comissão de Educação.
O abaixo-assinado a ser entregue ao ministro Gilberto Gil é mais uma etapa desse trabalho da Sosaci. Quem quiser assinar, basta entrar no
Portal da Sosaci e colocar seu nome, o número de sua identidade, a profissão e a cidade em que mora.

Mas esse artigo foi escrito em 2005.

Já de acordo com a Wikipédia:

O Dia do Saci é um evento criado pelo governo do Brasil em 2005, de caráter nacional, elaborado pelo então líder do governo Aldo Rebelo (PCdoB - SP) e Ângela Guadagnin (PT - SP) com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao "Dia das Bruxas", ou "Halloween", da tradição cultural dos Estados Unidos da América. Por isso é celebrado em 31 de Outubro. Anteriormente, o projeto de lei já havia sido aprovado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo.
E quem é o Saci:
Inicialmente retratado como um endiabrado, é uma criança índigena, com uma perna e de cor morena, com a diferença de possuir um rabo.
Na
Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também a cultura africana do pito, uma espécie de cachimbo, e da mitologia européia, herdou o píleo, um gorrinho vermelho.
Considerado uma figura brincalhona, que diverte-se com os animais e pessoas, criando dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assobios. O mito existe pelo menos desde o fim do
século XVIII. O saci não tem amigos, vivendo solitário nas matas.
Pessoal, hoje é dia de comemoração e em homanagem ao nosso grande Saci, vamos pular em uma perna só até o final do dia, ok?
Que Dia das Bruxas, o quê? É Dia do Saci. Somos brasileiros e não norte-americanos...
Viva o folclore!!!

terça-feira, outubro 30, 2007

...²

“No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga (...) O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira”
Antonio Maria

...

Rostos misturados,
Braços agitados.
O sol não aparece,
Mas o suor está presente.
Somos iguais.
O odor humano é o mesmo.
O que diferencia é o perfume
Ou a ausência desse.
Cadê meu frasco?
Acabou ou levaram.
Enfim, anestesiada,
Imóvel e na penumbra.
Rostos e braços lentos,
Quase parados.
Sumiram todos.
Que bom!

sexta-feira, outubro 26, 2007

Coisas fúteis

















Pena que a mais legal não dá pra ver direito... Peço desculpas pelas imagens estarem todas tortas. Essa postagem tem a colaboração essencial da Paulinha.

Antony and the Johnsons no Tim Festival

Putiiiiiiiiis! Maravilha!

http://www.showlivre.com/videos.php?conteudo_id=6492&video_id=26745&video_aberto=S

=***

quinta-feira, outubro 25, 2007

Dois tchutchucos em uma foto só


Vin Diesel e Paul Walker, em cena do filme Velozes e Furiosos.

Sou de Sampa, Zona Sul!

Aqui está um clássico dia de ir para qualquer lugar saindo da Zona Sul de São Paulo, que está uma bosta, um cocô gigantesco, um inferno, um horror, por causa das mudanças de merda que a SPTrans fez na região, entenderam?

E sou obrigada a ouvir o Secretário de Trnasporte dizer que a situação está normalizada!!!

domingo, outubro 21, 2007

Ginecêuticas


Meninas, obrigada por virem!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Tchutchuco em minha própria homenagem

Já que amanhã (daqui a pouco, na verdade) é meu aniversário, eu decidi me auto-homenagear com um tchutchuco que provavelmente só será meu. hahaha

Eu nem gosto muito de loiros, mas o Jerry Cantrell é minha maior inspiração guitarrística há muito tempo e talvez seja mais por isso que ele virou um dos meus preferidos.

Meninas, como eu falei mal dos seus tchutchucos, podem criticar o meu a vontade.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Um tchutchuco NADA controverso


Alguém não sabe quem é esse?!

quarta-feira, outubro 17, 2007

Tchutchuco controverso II


Para a Giovanna!!!!!!!!!!! hahahahaha

Danielle

terça-feira, outubro 16, 2007

sábado, outubro 13, 2007

Crônica da loucura

Por Mário Prata

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos.
O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra.
Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles.
Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas.
Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, algumas minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera.
Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas .
Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.
Ninguém olha para ninguém.
O silencio é uma loucura.
E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rodaríamos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses .
Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo.
E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu .
Senão, vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinqüenta anos e uma velha gorda.
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles?
Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu.
Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
O pretinho, por exemplo.
Claro que a cor, num pais racista como o nosso, deve ter contribuído muito para leva-lo até aquela poltrona de vime.
Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o casamento, pensei.
Ou será que não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"?
Notei que o tênis estava um pouco velho.
Problema de ascensão social, com certeza.
O olhar dele era triste, cansado.
Comecei a ficar com pena dele.
Depois notei que ele trazia uma mala.
Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro.
Talvez apenas a cabeça.
Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo.
Podia ter também uma arma lá dentro.
Podia ser perigoso.
Afastei-me um pouco dele no sofá.
Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos?
Como ele estava sofrendo, coitado.
Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo.
Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques.
Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver.
Filho drogado? Bem provável.
Como era infeliz esse meu personagem.
Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra.
Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa.
Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas.
Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha.
Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus.
Bastava olhar no rosto dela.
Não devia fazer amor há mais de trinta anos.
Será que se masturbaria?
Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora?
Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar.
Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava.
Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada.
O que deve ser dos filhos dela?
Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista.
Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo.
Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ri muito, o meu psicanalista.:
" - O Ditinho é o nosso office-boy. O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
E você não vai ter alta tão cedo..."

Danielle

sexta-feira, outubro 12, 2007

quinta-feira, outubro 11, 2007

Tchutchuco plus

José Hamilton Ribeiro

quarta-feira, outubro 10, 2007

Ao Androceu, com carinho!

http://www.youtube.com/watch?v=43juDmS__Tc

Tropa de Elite - O que fiquei pensando sobre isso tudo

Pessoal, não resisti e aqui está o belíssimo texto de Bortolotto sobre o filme "Tropa de Elite" de José Padilha.
Quem não assitiu, demorô!
Eu vi o filme. É bom pra caralho. Nem vou discorrer aqui sobre todos os méritos do filme de José Padilha. Muitos já escreveram sobre ele. Como cinema é muito bem realizado. Aí fico lendo uma porrada de comentários politicamente corretos acusando o filme de "fascista", "reacionário" e o escambau e tentam fazer valer seus argumentos afirmando que o filme glorifica a tortura e que algumas pessoas na platéia estão aplaudindo as cenas, etc. Fico perplexo com isso. Não concordo evidentemente com uma porrada de atitudes do Comandante Nascimento. Não concordo evidentemente com muita coisa que o filme mostra. Não concordo com tortura, não concordo com corrupção, não concordo com treinamento militar desumano, não concordo com o argumento de que um garoto comprando maconha está financiando o tráfico (é só liberar a merda da droga que o garoto vai parar de financiar o tráfico - quem está matando e induzindo o tráfico são os governantes que não liberam a venda legal da droga e todos estão "Nelsinho Peres" de saber que a droga só não é liberada porque tem gente graúda ganhando muito dinheiro com a proibição - parem com esse papo arrombado de "estamos preocupados com o bem estar da família brasileira"). Enfim, não concordo com muita coisa que é mostrada no filme. Mas é simplesmente porque não concordo com quase nada que está realmente acontecendo e gerando violência no Rio de Janeiro e no resto do país. Mas o filme quase que simplóriamente está mostrando o que está acontecendo. Não consegui ver o Zé Padilha se posicionando ao lado do Bope, dos traficantes ou dos garotos classe média que consomem droga. O que o Zé faz é contar uma história do jeito que ela é. Do jeito que as coisas são. E isso ele faz muito bem. Então parem de choramingar, de acusar o filme ou o diretor de fascista ou reacionário. Reacionário é o sujeito que faz um filme onde tudo é irreal demais, onde o mocinho vence no final e onde o garoto pobre sobe na vida por méritos próprios e casa com a bonitinha do colégio. Eu acho isso fascista. Ele mostra a tortura, é certo. A tortura existe e se alguém no cinema está aplaudindo a tortura, então o fascista é o cara que aplaude a cena, e não o Diretor que mostrou que a cena existe. E se o Wagner Moura humaniza o personagem, me desculpem, mas esse é o trabalho dele. O que vocês queriam? Que ele pintasse o personagem como um vilão de quadrinhos pra toda a platéia passar a odiá-lo? Me desculpem, mas eu não vou ao cinema pra concordar com um filme. Eu vou pra assistir e não pretendo ser enganado. Esse filme não mudou um mílimetro de minhas convicções. Não passei a admirar polícia nem traficante. Gosto de alguns policiais que conheço (não acredito que um sujeito veste uma farda e se transforma num babaca - me desculpem meus amigos revoltadinhos sem causa, mas alguns policiais são bem bacanas) e gosto de alguns traficantes que conheço também. Gosto de alguns usuários de drogas. E gosto de gente careta também. Acho alguns policiais escrotos pra caralho, assim como alguns traficantes também são. Não uso drogas e nem pretendo usar se forem liberadas, não é a minha praia, então não pensem que estou advogando em causa própria quando defendo a liberação geral e irrestrita de todas as drogas. Advogo em favor da liberdade, sempre, é só isso. Gosto mesmo é de beber. E acho alguns usuários estupidamente chatos, mas também acho alguns caretas uns malas insuportáveis. Não pretendo a partir de hoje participar de nenhuma campanha pela liberação da maconha, mas ninguém vai me ver em nenhuma bosta de passeata pela paz. O filme não mudou nada na minha vida. Mas achei legal alguém não dourar a pílula. Não concordo com quase nada que é mostrado no filme. Mas eu não concordo com quase nada que vejo por aqui. Será que é por isso que eu não acho o filme reacionário?
Agora se em algum momento você se pegou no cinema querendo aplaudir o Comandante Nascimento querendo enfiar um cabo de vassoura no rabo do sujeito, então, Brother, o fascista é você, não o filme.
Mário Bortolotto

Espelho Adaptação

Cadê o diálogo? O questionamento? Foi substituído pelo silêncio, pela indiferença, pela ignorância daquele que acredita que agir de modo infantil resolve tudo.
Que a falta de conversas entre os membros de uma família devido a inúmeros motivos existe, já se sabe, mas ignorar um ao outro para se mostrar superior é burrice demais. Os efeitos são sempre contrários e ao invés de levar a submissão leva ao distanciamento maior que existir na face da Terra.
Faz bem se colocar no lugar do outro, faz bem notar que outras pessoas vivem com você, porém essas não são obrigadas a cumprir horários semelhantes, viver igual, ter os mesmos costumes, mesmos hábitos. Ainda bem, pois imagine todos querendo usar o banheiro ao mesmo tempo, que loucura!
Todos são diferentes e, muitas vezes (sempre, digamos), esse fato incomoda. Pode ser que a rejeição dessas diferenças acabe em violência física pelo fato de haver uma deficiência na questão argumentação. Ou então essa violência é a exteriorização de frustrações da vida praticamente impossíveis de serem aniquiladas, pois, para o homem, é bem mais simples descontar nos outros do que olhar para si mesmo e tentar se modificar. Quando as palavras faltam ou surge o silêncio ou ouve-se um estalo (tapa nas costas, tapa na cara etc.).
O notar o outro é tão complexo como conseguir não tentar mudá-lo. A tendência é ignorá-lo e, caso esse o incomode demais, “lutar” para modificá-lo e deixá-lo numa forma aceitável para a convivência. Parece maldade, mas fazemos isso sim, não adianta negar. Porém uns utilizam de algumas práticas e outros de outras, é claro!
Encontrar-se e adaptar-se dói e parece dar uma sensação de fraqueza e covardia, o que é uma mentira imensa. Quem se encontra e se adapta torna-se o mais forte e inteligente. Aprende a agir em diferentes ambientes sem se tornar um pateta altamente manipulável.
Esse doer se reflete no aprender. Aprender a viver com a presença de outros. Fato necessário, não adianta negar!
O não se ver no outro como se estivesse olhando um espelho irrita e causa reações (boas ou ruins). Assim como encontrar defeitos no outro causa reações tão fortes quanto ou até piores. Ou buscamos ter vários “eus” em volta ou punimos todos de várias formas ou até, o melhor a se fazer, aprendemos a compreender as diferenças e a lidarmos com elas.

terça-feira, outubro 09, 2007

Mais um Querô

Eles sempre ficam encolhidos, apoiados pelas paredes.
Mas no meio da calçada eu nunca vi.
Ali, atrapalhando todos os apressados, todos os que estavam indo de encontro a suas atividades socialmente úteis. Esses desviavam do obstáculo com uma habilidade impressionante para quem nem olhou para o chão.
Desviavam.
Ou fingiam que não viam?
Ele os via. Lá, estirado na calçada, atravessado. Protestando, eu acho.
Birra de criança em shopping.
Mas era na verdade um homem embrulhado na calçada.
Num cobertor de lã azul. Num papel de presente azul.


E eu realmente quero saber o que transforma pobreza em miséria.
Miséria em violência.
Violência em indiferença.
São eles que existem aos montes?
Ou sou eu?

Danielle

Pôr-do-sol

De Tati Bernardi (http://blonicas.zip.net/)

Ela está prestes a perder a graça. Mas ainda tem algumas horas. As melhores horas da sua vida. O banho que antecede o sexo é o melhor do mundo. Ela jamais perde tempo se sentindo por dentro, se valorizando tanto, como quando se prepara para alguém. Tem até aquele esfoliante de erva cidreira que ela só usa quando está se preparando para alguém.Escolher a roupa é o inverso de vestir um defunto. É como se fosse a última roupa do mundo, mas nesse caso para celebrar a vida. Uma roupa para sempre.Escovar os dentes também é uma tarefa mais cuidadosa quando se vai doar o gosto da vida para alguém. Ela escova a língua, bem funda, e não sente ânsia de vômito. Sente ânsia, mas é diferente. Uma explosão eminente que não vai explodir. O coração pode estourar, o estômago pode estourar, a cabeça pode estourar, mas não estoura. Ela inteira é uma festa de fogos de artifício que não acontece. Mas os olhos brilham o segundo antes de acontecer.Quando ela pega o elevador, é como se dissesse para cada um dos moradores do seu prédio familiar. É como se batesse na porta deles e dissesse que enquanto eles comem carne requentada com arroz sem graça. Que enquanto eles comentam que o Jornal Nacional ta um saco. Que enquanto eles atendem o telefone forçando uma simpatia aguda que soa como uma sirene de desespero. Ela vai dar. Ela vai dar. Ela vai dar. Ela vai provocar em alguém um mistério que para ela é a única coisa que importa no mundo e para eles mais alguma coisa sem importância. Apesar do mundo inteiro dizer que são os homens que dão mais importância para isso. O rádio nesses dias sempre colabora. Sempre toca músicas boas e aquele CD que andava sumido sempre aparece depois de alguma brecada. Aos pés da ocasião. Tudo está aos pés da ocasião. E o espelhinho então revela a mulher que ela é de verdade. Não aquela com preguiça de se pentear e com a sobrancelha por fazer. Mas a mulher que ela é. Ela nasceu maquiada, com esses olhos cheios de brilho e de vida, e essa boca querendo engolir o mundo, digerir o mundo, sentir o mundo, chupar o mundo. Nesses dias até sua coluna fica ereta. Músculos nascem, celulites morrem, cinturas afinam. Seu cheiro natural são todos esses artifícios que ela misturou para o grande momento. A mentira toda é a única verdade que existe.Sua rua não é apenas a rua que desemboca na rua que desemboca na avenida. Tudo é sedutor. Virar uma esquina, furar o farol, dar uma seta. Tudo compõe uma trilha de sexo. Tudo leva ao sexo. Ela vai dar. Ela vai dar. E a cidade até que é bonita com esses motoqueiros tirando finas. A cidade pulsa. E os bancos de couro ensebado dos táxis e as peruas Kombi. Tudo pulsa. Ela não tem nojo de nada. O halls preto purifica tudo, transforma o mundo em um lugar até que interessante e prepara seu hálito para o único momento que realmente importa nesses dias chatos. O momento em que ela vai arrancar tudo o que a protege de mergulhar em si mesma. Ela vai mais uma vez amar sozinha, mas tudo bem. Todos os outros dias que chegam para curar esse momento, nada mais são que a espera e a preparação para outro machucado. É como se ela fosse um ponto de interrogação incompleto. E precisasse daquele furo que vai ao final do ponto de interrogação. O pingo final de uma dúvida que começa nela e não termina em lugar nenhum. Para ela então poder ser inteira uma dúvida. Tão inteira que completa. E sentir o mistério da vida. E não entender nada mas estar no mundo. Ser mundana. E voar. E tudo isso de tão absurdo e maluco, vazio. E a dor do vazio. E tudo isso que vem depois. Mas ainda não é a hora. Por enquanto ainda tem graça dizer coisas malucas e forçadas e verdadeiras ao estilo “hoje acordei assim”. Por enquanto tem graça renegar um abraço ou abraçar com desespero. Por enquanto tem graça molhar o lábio inferior e prolongar ao máximo os segundos.E ela jura que todos que estão parados no trânsito sabem como ela cheira bem. Ela jura que todos sabem o quanto ela está limpa porque não existe limpeza maior do que os minutos que antecedem sujeira. Ela jura que vai transar com o mundo e o mundo vai transar com ela. Rússia, Holanda, Japão, todos sabem onde ela está indo. E todos vão com ela. Não existe poucos amigos, não existe “pequenices” de alma, não existe chorinhos baixos. O que existe é um mundo que pulsa no meio de suas pernas e o meio das suas pernas pulsando no mundo. É o minuto da alegria mais plena e da solidão mais povoada. Ela vai dar. Ela vai dar.O porteiro poderia morrer por ela. A mulher no elevador poderia mata-la. Ela é causadora de grandes catástrofes mas também poderia salvar o mundo.Quando ele abre a porta, seu coração se parte em dois. Ela sabe que se trata do ser mais amado do universo. Mas sabe que também se trata de mais um ratinho de laboratório que tem vida e importância curtas. Ela vai precisar ama-lo desesperadamente para conseguir se abrir. Mas ela sabe que isso é apenas uma droga barata e não proibida que ela toma para sentir a vida e poder comer a si mesma. E depois vomitar a si mesma. E resgatar seus pedaços azedos como um porco faminto. Ela sabe que tudo só acontece dentro dela.Ela está prestes a perder a graça. Mas ainda faltam alguns minutos. Os melhores minutos da sua vida. Naquele minuto que antecede uma coisa tão banal quanto encaixar duas pecinhas de lego para formar uma ponte, ela é a única mulher do mundo. E se ela disser que quer morrer, comer um abacaxi ou escutar o som de um dedão do pé estalando. Ela será a única mulher do mundo. A melhor do mundo. E então a vida, maravilhosa como é, diz baixinho no ouvido dela: ir embora agora, sendo a única mulher do mundo, mas não trepar com esse cara. Ou trepar com esse cara e ser apenas mais uma mulher do mundo. E então, apenas porque também precisamos da banalidade para não explodir com a vida, ela abre as pernas e perde totalmente a conexão com a Rússia, a Holanda e o Japão.E as ruas são apenas ruas. E os motoboys, e as peruas Kombi, e os taxistas. E os faróis infinitos. E tudo leva a um caminho longo de queda sem almofadas. E o espelhinho revela uma mulher que precisa de banho e demaquilante. O CD some novamente e o rádio toca mais uma modinha idiota. E ela é só mais uma. Mas pelo menos ela deu. Ela deu. Ela deu.