Toda vez que vejo a tabuleta “Não sei voltar sozinho, meu lugar é na garagem”, no carrinho de supermercado do prédio, sinto um pendor para o vandalismo. Tenho vontade de agarrar aqueles arames fanfarrões e falar: “ah, não sabe? Quer dizer que é capaz de escrever um aviso em primeira pessoa, imprimi-lo numa placa, mas esticar a rodinha até o botão do elevador e apertá-lo, que é bom, nada? Agora vai voltar sozinho, sim senhor!”.
Suponho que eu devesse achar graça em estabelecer contatos imediatos de terceiro grau com um carrinho de supermercado. E, sentindo-me satisfeito por morar num edifício onde tal objeto é tão gentil e bem-humorado, deveria olhá-lo com ternura e dizer “ok, amigão, vamos lá, eu te devolverei à garagem, seu doce lar, onde reencontrará seus irmãos metálicos e poderá fazer as mais loucas traquinagens!”. Mickey Mouse aparecer com vassouras e baldes dançantes ou carros falarem abrindo e fechando os capôs seria uma consequência lógica, e eu sorriria mais uma vez, pois a vida, afinal de contas, havia se tornado um desenho animado.
(...)
Um comentário:
Gostei, bem legal!
Quem já conversou com um carrinho de supermercado levanta a mão! =P
Postar um comentário