quarta-feira, setembro 19, 2007

Aposto que ele se achava fashion. Uma jaqueta de jeans azul, “customizada” nas costas. Era uma mancha que pretendia deixar o jeans mais transado, mas não conseguia; na verdade era uma mancha circular nas costas do sujeito.
E ela!
Ah, ela era de arrepiar.
Um vestido amarelo, na altura do joelho, às sete horas da manhã, e essa nossa manhã não era muito convidativa, fazia um frio desagradável, mais gelado que a temperatura usual do horário.
Olhei para as pernas. Mal torneadas elas. Não que as minhas sejam belas, mas não saio por aí descobrindo os meus defeitos.
Já me bastam os que são visíveis a olho nu.
Ela ainda completou a produção com um casaco de linho bege!
Bege! Isso me incomodou um pouco, as formas ficaram avantajadas.
Mas o que me chamava atenção não era a roupa em si. Na verdade a roupa me deixou com raiva, mas eles estavam de mãos dadas!
Um casal tão feio de mãos dadas em uma segunda-feira de manhã, eu não mereço isso, pensei.
Entretanto eu não conseguia tirar o olho deles.
Ela era um pouco mais nova, uns 5 ou 7 anos talvez. Iam atravessar a rua, ele, com o jeito másculo e paternal que os homens têm (não que eles precisem, somos todas retardadas?) ao pegar a mão de uma mulher, guiava a companheira até o outro lado.
Depois, sistematicamente, virou a cabeça e lhe deu um beijo.
Senti náuseas, momentaneamente, fiquem sabendo!
Rapidamente percebi que era uma pontinha de inveja. Eles eram tão estranhos e geralmente os livros didáticos ensinam que pessoas estranhas não são felizes. Você tem que ser sociável, você tem que beber, você tem que falar, você tem que ser conhecido, você tem que dizer das suas conquistas aos seus, ser normal, enfim.
Embora eu não saiba ainda qual é essa definição.
Mas o casal era tão feio!
E tão feliz!
Parecia pelo menos - mas fiquemos no parecer que às vezes é muito mais confortável que o ser. É mais acomodado também, mas quem se importa?
E eram tão felizes que eu mesma pensei: será que com um casaco de linho bege e um vestido amarelo eu também vou ser feliz?
E encontrarei alguém de jaqueta jeans desbotada para me ajudar a atravessar a rua?
Bem, casaco de linho bege eu não tenho, nem vestidos – quanto mais amarelos.
E falta um tempo ainda para precisar de ajuda ao ir e vir de um lado a outro de uma passagem urbana.
Prefiro ficar assim, então.

Danielle

2 comentários:

João Paulo Caldeira disse...

pô, gostei do texto...

Zine Qua Non disse...

Acredito que para a travessar a rua o Renato não precisa me ajudar.
Na verdade, sempre acho que ele quer me matar, pois sempre resolve atravessar quando ver um carro doido a 100 por hora.

Será que faz parte do amar tentar matar sua parceira?