sexta-feira, agosto 25, 2006

Assassinato - parte 4

A Amante

Íris caminhou pelo jardim de entrada de um casarão tradicional do Pacaembu. Ao chegar na porta, uma senhora de uniforme a recebeu e informou que Marisa a receberia num minuto. Íris sentou-se numa poltrona ao lado da lareira e esperou. Pouco depois, uma mulher alta e loira entrou na sala. Vestia-se muito formalmente para alguém que estava em casa o dia todo. Ela sentou-se numa cadeira de veludo à frente de Íris.

– Que honra a minha receber uma escritora barra detetive na minha humilde casa. – ela brincou. – Imagino que veio encontrar uma forma de culpar a amante pelo assassinato.

– Não procuro culpar ninguém além do próprio assassino. Se isso for uma admissão de culpa...

– Oh, não, não. Por que eu mataria o homem que amava e que ia deixar a esposa por mim?

– Então, ele pretendia deixar a esposa? E o dinheiro?

– Estava tudo preparado. Mário tinha um dinheiro próprio que guardara para isso. Nós íamos nos mudar para os Estados Unidos e viver felizes para sempre.

– Não foi o que soube. Pelo que descobri, Mário perdera uma boa quantidade de dinheiro nos últimos tempos.

– Ele não perdeu esse dinheiro, ele desviou. Não adianta ficar guardando segredo. A conta está no nome dele e será toda revertida para a esposa. Não fiquei com homem ou dinheiro. Ele falsificava uns investimentos e depois fazia a mulherzinha cobrir o falso prejuízo. Era um bom esquema. Da última vez, ele pegou uma quantia alta, que a Camila não ia cobrir, mas não tinha problema. Quando descobrissem, nós já estaríamos longe. Ele ia embora depois do jantar, as passagens eram para a manhã seguinte. Só que ela o matou antes.

– Pode me dizer o que aconteceu naquela noite?

– Para começar, aquele chato do João estragou minha entrada triunfal. Eu tinha planejado chegar por último só para assistir a Camila descer do salto na frente de todos. E durante o jantar os olhares estavam todos voltados para o padre e João. Foi bastante tedioso. Quando levantamos para ir para a sala, Camila disse que ia pedir o café. Fui atrás dela, só para provocar. Disse que queria conhecer a cozinha dela e fiquei dando umas indiretas, mas ela não reagia. Quando chegamos na cozinha, as empregadas que estavam comendo levantaram para pegar o café. Mas a Camila disse que não precisava, que ela mesma levava e que era para as duas continuarem o jantar. Na hora, achei que era só pose de boazinha dela. Ela até me fez carregar os biscoitos, como se eu fosse uma serviçal. Depois eu percebi que era para matar o Mário. Pensar que podia ser eu. Na sala, ela serviu todo mundo, mas não saí do lado dela. Estava disposta a quebrar a pose da perua. Ela disse que ia devolver a bandeja e preferi não acompanhar, vai que ela resolve me fazer de ajudante de novo. Aí, fui conversar com a Clara e a menina do João. Meio carola demais, só falava da igreja e tal. Percebi na hora que o João não ia longe com aquela ali. Então, o Mário caiu morto. Foi horrível.

– Notou mais alguma coisa antes disso?

– Não, além do que, a Camila é a que tinha mais motivo. Precisava ver a cara dela quando voltou da cozinha e viu o marido no chão. Não chorou, nem deu um piu. Ficou lá, parada, olhando o corpo.

– E você chorou?

– Claro que sim. Ele estava morto, não havia motivo para esconder minha dor. Precisaram me dar um calmante antes de voltar para casa. Pensando agora, vai ver que ela tinha envenenado meu café também. Ainda bem que não bebi. Não deu tempo.

– Mas parece que já superou a perda.

– Ah, a fria amante interesseira, né? Ainda sinto falta dele se quer saber, mas a vida continua, não?

– Além de você e do Mário, mais alguém sabia dos planos de vocês?

– Não. Vai ver que a esposinha descobriu, mas que eu saiba, ninguém sabia. O intrometido do irmão dele ficava espiando a gente, mas não ouviu nada. É meio óbvio que foi ela. Além dela, os únicos que tinham motivo eram os que foram lesados pelo esquema do Mário, mas o João é um besta e aquele outro, o Sérgio, não é refinado o suficiente para envenenar alguém. Eu li em algum lugar que veneno é a arma preferida das mulheres.

– Nem sempre o assassino é o mais óbvio. Nem todos têm o sangue frio necessário.

– E você acha que eu tenho?

– Talvez, mas ainda tenho outros a entrevistar. Não tiro conclusões precipitadas.

A Namorada do Sócio

Íris tocou a campainha do pequeno sobrado. Uma voz respondeu de dentro e abriu a porta em seguida. Era uma garota de vinte e poucos anos. Vestia jeans e camiseta. Seus longos cabelos pretos estavam presos num rabo e ela parecia ofegante.

– Sim?

– Olá. Meu nome é Íris Fogliatti. Liguei para avisar que vinha.

– Sim, claro, entre. – respondeu a garota. – eu estava dando uma geral na casa. Não é sempre que recebemos pessoas famosas. Eu e minha mãe somos bem simples, sabe?

Íris foi conduzida para uma pequena sala, cheia de bibelôs e toalhas de crochê. A garota indicou o sofá.

– Obrigada. Eu gostaria de saber o que você se lembra da noite do assassinato?

– Ah, eu estava meio nervosa, sabe? Eu nunca tinha ido numa casa tão fina. E fazia anos que não via o padre Carlos.

– Desculpe, você já conhecia o padre Carlos?

– Já, ele, o irmão e a Camila, mas eles não lembram de mim. Eu era uma menina e nós éramos da mesma paróquia. Eu tinha uma admiração enorme por eles. Andavam sempre juntos. Mas depois que a Camila e Mário casaram e o padre Carlos se ordenou, eles não voltaram mais para a igreja. Então, quando o João me convidou para ir ao jantar com ele, fiquei excitadíssima. Queria ter falado com o padre antes do que aconteceu.

– E como foi à noite? Desde o começo.

– O João chegou atrasado aqui. Eu já estava esperando há um tempão, mas ele disse que eles não iam se importar e tal. Quando chegamos, todos foram muito amáveis comigo, principalmente a Clara. Muito meiga. Bom, nós jantamos. Comida fina, vinho caro. O Mário ficou falando do vinho, mas não entendi nada. Aí o João começou a contar umas piadas de mau gosto para o pobre padre. Ele deve estar arrasado. O irmão morreu e a melhor amiga sendo acusada!

– Melhor amiga?

– É, eles dois eram inseparáveis na igreja. Bom, então fomos para a sala. A Camila trouxe o café numa linda bandeja de prata, sei que era prata porque a Clara ficou encantada e perguntou. Ela até segurou a bandeja. Mas a Camila precisava servir, então ela devolveu. Tinha uns biscoitinhos também, de aveia. Desses fibrosos, sabe? Não gosto muito. Então fiquei conversando com a Clara e quando vi, o Mário estava morto.

– O que pode me dizer do clima entre os convidados?

– O João tava mais palhaço que o costume, parecia disposto a chamar toda a atenção. Aquela moça, a Marisa, só ficava perto da Camila. O João me disse que ela era amante do Mário. Se for verdade, então ela é muito estranha, pois não desgrudava da Camila. Perguntava como ela estava, se estava feliz, comentava sobre ela precisar de férias e tudo mais. O marido da Clara estava bastante aborrecido e o padre estava meio sério, mas sorria de vez em quando. Sinceramente, não sei se posso ajudar. Não conhecia realmente nenhum deles.

– A visão externa pode trazer mais luz do que se imagina. O que mais você notou?

– Nada mesmo. O Mário parecia meio ausente, ele se distraia fácil, sabe? Fiquei pensando como ele pode ter sido envenenado e não cheguei à conclusão nenhuma. Todos comeram a mesma coisa, todos tomaram café, vários comeram o biscoito e não lembro do seu Mário pegar um.

– Tem certeza que ele não pegou?

– Tenho, ele pegou só café.

– E a reação dos convidados depois que ele morreu?

– Ah, a tal Marisa berrava e se descabelava. A Camila parecia em choque, acho que não disse uma palavra. O padre Carlos que cuidou dela e ele estava visivelmente abalado. Ele perguntou se ela estava bem e ela só acenou com a cabeça. Ele achou melhor levá-la para dentro até a polícia chegar. A Clara estava branca, o marido dela só olhava para o corpo e murmurava algo como “não pode ser verdade”. O João ficou sério pela primeira vez. Foi ele que chamou a ambulância e a polícia. Eu meio que não acreditava. Fiquei quieta e esperei. Depois que polícia nos liberou, o João me trouxe para casa. Não falou nada o caminho todo, só que teria muito trabalho e que não sabia quando poderia me ligar. É claro que eu sabia que ele não ia ligar mais. O canalha achou que eu fosse fácil e a noite foi chocante demais para qualquer coisa.

Íris agora tinha entrevistado todos os presentes, mas algo ainda a incomodava. Era hora de voltar à viúva.


Elis (estamos quase lá)

quinta-feira, agosto 24, 2006

Sobre os infelizes incidentes dessa semana

by Gi

Eu estive pensando muito sobre tudo que aconteceu com todas as moças gineceuticas e com os moços androceuticos essa semana e nada que eu escrevia parecia certo... Isso foi até quando a revista TPM desse mês me brindou (hehehe) com uma maravilhosa (e sucinta) crônica sobre mentiras entitulada "Verdades da Mentira" de Mara Gabrilli. Quem quiser ler ela toda é só visitar o site www.revistatpm.com.br

Faço minhas as seguintes palavras dela:


"Tenho reparado que constatar que alguém mente para mim pode me provocar uma fúria desmedida . Uma junção de decepção , medo e raiva . A imagem da pessoa espatifa dentro de mim e, além de me deixar cabreira com outras coisas que talvez sejam desconexas, ainda me envolve num questionamento irado que na verdade não passa de uma só pergunta : – por que me achou tão idiota ? Porém , isso que descrevo é privilégio de pouquíssimos... Enlouquecer por sentir-me enganada e afogada na obscurescência da história malcriada é só pro primeiro escalão residente no meu coração . Quando se trata de alguém que pouco me importa, pouco me importa.

(...)

Segundo a minha mãe , a mentira engana a quem mente , pois nem sempre engana quem ouve.

(...)


Esta coluna me fez constatar quantas verdades existem para a mentira ."

Não quero me estender nos comentários, afinal de contas todo mundo já sabe o que penso a esse respeito. Só queria mesmo mostrar como o texto tem tudo a ver com a questão.

Na verdade, tudo isso que escrevo aqui é só uma desculpa esfarrapada pra dizer que, apesar da minha esquisitice (hehehe), gosto muito de todos e espero que possamos continuar um grupo tão unido quanto o que somos hoje. =)

=****

Assassinato - parte 3

O Padre

Íris chegou na igreja no final da missa. O padre distribuía hóstias aos fiéis. Íris aguardou até que todos saíssem e se aproximou. Era um homem jovem, alto e forte. Sua pele morena contrastava com os olhos claros.

– Posso ajudá-la, minha amiga? – perguntou o jovem padre.

– Espero que sim. Sou Íris Fogliatti e ...

– Ah, a escritora?

– Também. Estou investigando a morte de seu irmão a pedido da viúva.

– Eu realmente espero que consiga inocentar a pobre Camila.

– Então, acha que ela é inocente?

– Sim. Vamos conversar lá dentro, tenho uma salinha mais confortável. – e conduziu a detetive por um corredor lateral até um pequeno escritório.

– Pois bem, detetive. Em que posso ajudá-la?

– O que pode me dizer sobre o casamento de seu irmão?

– Meu irmão não era, como posso dizer, um marido ideal. Ele mantinha uma amante. Não sei se Camila sabia. Acho que não. Eu disse a ele muitas vezes que era errado o que estava fazendo, mas ele apenas respondia que eu não podia entender as necessidades da carne. O que não é verdade, não há casamento mais difícil que com a igreja.

– Então você sabia do caso de seu irmão? Por que não falou para a esposa?

– Eu ainda acredito nos laços matrimoniais senhorita. Não cabia a mim contar. Não trairia a confiança de meu irmão.

– Sim, entendo. Pode me contar como foi aquela noite, nos detalhes?

– Eu cheguei mais cedo. Aproveitei para ajudar Camila com os preparativos. Pouco depois o Mário chegou. Estava diferente.

– Diferente como?

– Tenso. Ele não costumava ficar preocupado com nada. Quando perguntei qual era o problema, apenas disse que era um problema nos negócios. Percebi que não queria continuar a conversa. Pouco depois das oito, um casal de amigos deles chegou. O marido foi bem rude com Mário. Sérgio, acho. A esposa era muito educada e parecia disposta a acalmar os ânimos. Então, chegou aquela mulher. A amante. Não pude acreditar. Ela parecia disposta a provocar. O tipo de mulher que destrói lares por prazer. O Mário não fez nada. A Camila tratou todo mundo normalmente. Tentei falar com meu irmão, trazer juízo para a cabeça dele, mas ele me disse que não era problema meu e que ia resolver tudo. Tentei perguntar se ia terminar com a amante, mas ele apenas me cortou. O sócio chegou atrasado, acompanhado por uma menina. Não gosto daquele homem, João, ele se diverte com o desconforto dos outros. O Jantar foi normal. Camila tentou manter uma conversa civilizada.

– Soube que ela evitou um confronto entre você e João Fagundes.

– Não ia ser um confronto. Eu ia responder às provocações dele, mas preferi me calar. Não era eu que estragaria a noite dela.

– Vocês se conhecem há muito tempo?

– Nos conhecemos, os três, quando adolescentes. Eu meio que servi de cupido para os dois. Arrependo-me agora. Mário poderia estar vivo e Camila...não teria sofrido tanto.

– O que aconteceu após o jantar?

– Fomos para a sala de estar onde Camila serviu o café. Tentei conversar com Mário novamente, mas o amigo dele se aproximou. Queria saber de dinheiro.

– O que Mário disse?

– Disse que o pagaria na segunda-feira e então caiu morto.

– Você imagina porque mataram seu irmão?

– Eu o amava muito, mas conhecia o homem que era. Mário não era muito ético, não só com a esposa. Imagino que alguns seres humanos vão a extremos por muitos motivos e Mário pode ter provocado algum. Contudo, não posso acusar ninguém, não quero correr o risco de difamar um inocente.

– Os motivos para assassinato não são muitos. No geral, são passionais, amor, ódio, etc. Ou por poder e dinheiro. Não há tanta variedade.

– Bom, dinheiro pode ter sido um fator. Mário era...bom..ganancioso.

– Notou mais alguma coisa na noite do jantar?

– A moça que estava com João parecia familiar, Mário também achou, mas não acho que seja um familiar ruim. Ele parecia mais preocupado com a amante.

– Por quê?

– Ela estava bem extrovertida. Ele deu algumas indiretas e o ouvi comentando com ela sobre estar perto do fim. Acho que ele ia deixá-la.

– Obrigada pela ajuda e sinto muito pela sua perda.

– Ah, sim. Espero que consiga inocentar Camila. Ela merece ser feliz.

O Casal

Íris encontrava-se numa sala simples, mas de bom gosto de um apartamento de classe média. Pela decoração podia perceber que os donos não tinham muito dinheiro, mas eram educados e até sofisticados dentro do padrão social a que pertenciam. O casal sentava-se num sofá a sua frente. O marido, Sérgio, estava claramente aborrecido. A esposa, Clara, compensava a aspereza do marido sendo cordial até demais. Suas mãos, porém, traiam o nervosismo contorcendo-se no colo.

– Olha – começou Sérgio – sei que está sendo paga para isso e tudo, mas não gosto de ser interrogado.

– Não estou aqui para interrogá-lo, apenas gostaria que me dessem suas versões dos fatos.

– Minha versão? Eu só me fudi com a morte daquele canalha.

– Por causa do dinheiro que ele devia ao senhor?

– É claro. Ele convenceu a Clara a entrar naquele negócio. Ele sabia que eu não aceitaria, por isso foi por trás das minhas costas e enganou minha esposa.

– Então foi a senhora que deu o dinheiro para o Mário?

– Foi. Eu não entendo muito de negócios, mas o Sérgio falava em investir e o Mário estava tão seguro. Foi uma bobagem minha.

– De qualquer forma, – continuou o marido – o canalha deveria ter falado comigo. Só que sabia que não ia conseguir me enrolar. Eu nunca tinha ouvido falar da tal empresa que ele investiu nosso dinheiro. Quando o confrontei, ele disse que pagava, mas ficou enrolando.

– Por isso o senhor o cobrou no jantar?

– Foi. Ele disse que pagava na segunda-feira, mas caiu morto em seguida e eu dancei.

– O que aconteceu naquela noite?

– Nós chegamos no horário – começou Clara – e o jantar correu bem. O João, o sócio do Mário, ficou fazendo graça. Bom, parecia tudo bem. Depois fomos para a sala de estar. Eu fiquei conversando com ele e aquela namorada dele, Paula, uma gracinha de garota. Um pouco nova, mas muito educada. Quando percebi, o Mário estava no chão.

– Não foi exatamente assim. – interrompeu o marido – A Camila serviu o café, o que é muito estranho, ela tem umas duas empregadas para isso. Quando nos afastamos da mesa de centro, fui atrás do Mário para falar do dinheiro. Ele tava conversando com o irmão sobre a amante. Eu interrompi e ele disse que me pagava. Comeu um sequilho e caiu morto.

– Desculpe, o senhor disse que ele comeu algo?

– Ah, só um biscoito. Tinha vários na bandeja do café. Não devia estar envenenado, pois eu também comi. Só que um de aveia.

– E o café foi servido numa bandeja?

– Foi, – respondeu Clara – mas a Camila que encheu as xícaras. Mas, é, todo mundo tava perto da mesinha antes. Talvez outra pessoa tenha posto o veneno na xícara antes. Ah, não, né? A polícia não achou veneno nelas. Desculpe.

– Tudo bem. O fato da polícia não ter achado dentro da xícara, não significa que não estivesse lá.

– Ah?

– Desculpe, pensei em voz alta. – disse Íris. – Vocês notaram mais alguma coisa?

– Aquela mulher, a Marisa, – hesitou Clara – bom, ela meio que ficou seguindo a Camila durante toda a noite. Quando a Camila saiu para levar o café para a cozinha, a Marisa falou alguma coisa para a coitadinha. Não ouvi direito, mas era sobre o Mário. Ele morreu pouco depois.

– Eu agradeço a cooperação de vocês e desculpem incomodar.

– Não foi nada. – respondeu a mulher.

– Só uma coisa. – disse Sérgio – A senhora não tinha deixado de trabalhar com investigação?

– Sim, mas resolvi fazer um favor a um amigo.

– Por que foi que parou?

– Ah, eu já conhecia o suficiente o ser humano.

– Mas tinha um caso que terminou mal, não?

– Sérgio! – sussurrou a esposa.

– Se ela pode vir aqui e nos perguntar coisas, nós também podemos.

– Sim, houve um caso cujo desfecho não foi...feliz. – respondeu Íris e saiu. Não queria pensar no passado agora, não podia pensar no passado.


Elis (falta pouco!)

quarta-feira, agosto 23, 2006

Puta Universidade Caótica

É incrível como a gente só se dá conta do tamanho de uma crise quando ela nos atinge... No caso da arque-crise puquiana também não foi diferente comigo. Apesar de desde o início do ano ter participado de centenas de assembléias e de uma pseudogreve por me solidarizar com a situação e principalmente para que a faculdade não perdesse mais professores, como acredito que tenha sido a posição da maioria do “bixos”, só fui realmente me dar conta no último sábado, 19/8, de que a coisa é muito séria e que os problemas que nos deparamos no início do ano eram, infelizmente, só o começo.
Era 8h30 quando eu chegava ao pátio da Comfil – atrasada, mas feliz e contente para a primeira aula do segundo semestre de francês para graduandos, quando encontro a Paula que me diz: “Nosso curso foi cancelado”. Como assim cancelado? Não posso acreditar... Simplesmente e sem nenhum pudor, a reitoria fechou diversos cursos de idiomas para graduandos, sendo que as inscrições e rematrículas foram abertas no início desse semestre e atingiram o número mínimo de inscritos e detalhe: o curso não é gratuito, custa 4 créditos!
Mas mesmo assim, não se deram ao trabalho de justificar ou de dar prévio aviso. Pra quê? Ah que besteira... Soube através de uma professora do departamento que a justificativa, ou a desculpa, da reitoria foi de que os curso têm muita evasão e que não compensa pagar professores. Resultado: mais professores demitidos (sem ninguém ficar sabendo).
Estou revoltadíssima com a situação. Assim que soube, tive vontade de berrar, ovacionar a reitoria, pegar a reitora pelos cabelos... manifestar de alguma forma essa revolta e exigir a reabertura dos cursos.
É uma puta injustiça... pense você, chegar no início do próximo semestre e ser informado que o curso de jornalismo foi cancelado. Não estava dando lucros.
E agora, o que vou fazer com meu mísero básico 1 de francês? Só sei dizer como é meu nome, idade e essas coisas que se aprende mesmo num semestre, mas que não servem de nada. Quero ter o direito de continuar aprendendo. Droga!
“ Je suis révoltere! C’est une injustice... je veux mon cours de tour!” Pois é, com esse francês meia-boca que finalizo essa sessão de descarrego.
Por Mônica

ELEVATION

Após um almoço de gargalhadas, como o de costume, pensei em escrever algo sobre as histórias fenomenais da nossa ídola Elis!!! Portanto, meninos carolas e quietinhos me desculpem, mas preciso compartilhar isso com os outros elementos ginecêuticos!

O namoro da Elis com um indivíduo de 2 metros de altura!!!! Nada mais, nada menos do que DOIS metros...me fez refletir o quão parecida essa história é com a música Bono Voxense: Elevation!

"I and I in the sky, you make me feel like I can fly so high, ELEVATION"

E...
A star lit up like a cigar
Strung out like a guitar
Maybe you could educate my mind
Explain all these controls
I can't sing but I've got soul
The goal is elevation

Pois é... o objetivo não é necessariamente até o céu, maaaas até o teto da cozinha, quem sabe??

E essa é só mais uma das 1001 historietas da Dona Elis a entrar no famigerado "É mais importante ser grande ou grosso?" citado pelo Guimax!

Por Dri

Assassinato - parte 2

O Sócio

Íris chegou ao escritório de João Fagundes na manhã seguinte. A secretária a anunciou e conduziu a sala.

– Sente-se, por favor. – disse João – Aceita algo?

– Um copo de água, obrigada.

A secretária voltou rapidamente com a bebida e retirou-se.

– Suponho que venha me perguntar sobre o Mário, certo?

– Sim. A viúva me contratou para investigar o crime. Pelo que soube os senhores eram sócios há muitos anos, não?

– Nos conhecemos na faculdade. Abrimos a empresa logo depois da formatura. Éramos só nós dois na época. Crescemos consideravelmente.

– E perderam bastante dinheiro há pouco tempo.

– Ah, é. – ele meneou a cabeça – Acho que isso me coloca entre os suspeitos, né? O Mário fez uma bobagem. Investiu boa parte de nosso capital em ações não-confiáveis. Só descobri quando ele perdeu tudo. Fiquei furioso, claro, mas não o matei. Não seria muito inteligente da minha parte.

– Por quê?

– Ora, eu só tenho o que a empresa gera. Não guardei muito. Sou meio...exuberante. Acho que viu meu conversível lá embaixo, não? Pois bem, Mário ia cobrir o rombo. A mulher dele é podre de rica, sabe? É, acho que sabe, afinal, ela está te pagando. De qualquer forma, não foi a primeira e nem seria a última vez que ele perdia dinheiro.

– Ele fez investimentos ruins antes?

– Alguns. Não no começo. Ele costumava ter faro para a coisa, mas nos últimos dois anos, ele perdeu um bocado de grana. A mulher dele repôs todas as vezes. Só que desta vez ele exagerou. Perdemos quase meio milhão de reais.

– E ela ia cobrir um prejuízo tão alto?

– Ia. Ela deve ter isso só em jóias. Bom, como pode ver, não havia motivos para matá-lo, mas para mantê-lo vivo. Só espero que ela assuma a parte dele da empresa, senão estou no mato sem cachorro.

– E o que aconteceu na noite da morte?

– Ah, eu cheguei um pouco atrasado. Minha garota demorou um bocado para se arrumar. Eles estavam nos esperando para jantar, mas o clima estava tenso. Resolvi aliviar as coisas e contei um monte de piadas. Para alegrar a festa, sabe? O irmão do Mário não gostou muito. Ele é padre e metade do meu repertório é piada de padre. A outra metade é de sexo. O Mário rolava de rir da cara do irmão. Este até ia responder, mas a Camila pediu para ele não esquentar a cabeça comigo.

– E ele obedeceu?

– Como um cachorrinho. Sorriu para ela e disse que não faria nada para estragar o jantar dela. Se ele não fosse padre, eu ia achar que tem coisa ali, mas quem pulava a cerca era o Mário.

– Você conhecia a amante dele?

– Conhecia. Todos conheciam. Era a Marisa, ela estava lá. Toda sexy, provocando a Camila.

– Eles estavam juntos há muito tempo?

– Uns dois anos. No começo, ele escondia bem, mas começou a ficar desleixado nos últimos meses.

– Sabe o porquê?

– Não. Vai ver ia deixar a esposa. Falei para ele não fazer nenhuma bobagem antes da Camila cobrir o rombo da empresa, aí ele pega e leva a amante no jantar. Se eu fosse a Camila também tinha matado o bastardo.

– Então, você acha que foi ela?

– Sei que você está tentando provar que não, mas não vejo quem mais poderia ter feito isso. Na comida não tinha veneno, todo mundo comeu. E nem foi ela que cozinhou. Acho que foi no café, foi a única coisa que ela serviu um por um.

– Eu soube que o Mário havia brigado com um amigo. Sabe o motivo?

– Ah, é. O Sérgio apareceu por aqui berrando, batendo porta. Eu ouvi quando ele invadiu a sala do Mário e fui ver o que estava acontecendo. Ele ficava berrando sobre um dinheiro que o Mário devia. Aí, o Mário falou que pagava, apesar de não ter obrigação nenhuma e o cara sossegou.

– Que dinheiro era esse?

– O Mário me explicou depois que convencera o Sérgio a fazer o mesmo investimento que nós. Eles perderam uns 50 mil reais. Pouco perto da empresa. O que deixou o cara puto é que isso era tudo que ele e a mulher tinham. O Mário falou que pagava e tudo se resolveu. Apesar..não.

– Apesar do quê?

– Bom, talvez não seja nada, mas eu tava conversando com a Clara, mulher do Sérgio, e com minha namorada e o papo tava meio luluzinha demais. Então olhei em volta e vi o Sérgio tirando o café da mão do Mário e colocando sobre o piano. Mas ele não colocou nada dentro, tava muito ocupado cobrando o dinheiro.

– Onde estavam os outros?

– O padreco estava com eles. A Camila tinha ido até a cozinha. O Mário caiu morto pouco depois.

– Então, ela não estava na sala?

– Não, não estava.

– Mais uma coisa. Durante o jantar, você se lembra do que cada um bebeu?

– Lembro. Estávamos comendo carne por isso bebíamos vinho tinto, exceto a mulher do Sérgio. Ela bebia água, falou algo sobre remédios.

– Quem serviu o vinho?

– O próprio Mário. Ele adorava vinho, fez curso e tudo. Achei até estranho que ele aceitasse café. Ele tinha levado a taça para a sala. Será que foi o vinho que envenenaram?

– Acho difícil. Todas as taças foram examinadas. De qualquer forma, obrigada pelo seu tempo. Será que posso pegar o telefone e endereço de sua namorada?

– Claro e se quiser, pode dizer para a Paula que acabou entre a gente. Seria ótimo, eu poderia te convidar para jantar.

Íris sorriu por educação. – Acho que esse é um dever seu. – respondeu. Pegou os dados e saiu. Próxima parada: o irmão da vítima.



Elis (que já avisa que o texto é grande.)

Mais uma pérola!!!

Leiam o post anterior primeiro e depois leiam o comentário do Max que reproduzi aqui embaixo.

"Eu juro q gostaria de saber o q seria de vcs sem mim ( Max Mainardi ataca novamente).
Sorte ( ou azar) que eu não vou mais trancar a faculdade ano que vem.
Sorte ou Azar vcs vão ter que me engulir."

Sim, ele escreveu ENGULIR, com U.

Ê, Max!!!

S "U" ssega, rapaz!!!

Por Paula Cabral Gomes

PORRA, MAX!!!

Dia 18 de agosto de 2006, casa do Otávio, Max está vendo fotos tiradas na casa da Elis quando chega na foto de uma parade da sala, cheia de livros.

Alguém diz:
- Nossa, quantos livros!

Elis diz:
- Olha que é só uma parede!

Então, ele resolve perguntar:
- Quantas paredes tem na sua sala, Elis?

Elis responde:
- ...

Todos acrescentam:
- Ai, Max!

Por Paula Cabral Gomes

terça-feira, agosto 22, 2006

Assassinato - parte 1

A tarde passava tranqüila enquanto Íris escrevia. Sentada numa confortável poltrona em seu escritório, ela pensava nos temas de seu livro e degustava um cabernet savignon ao som de Chopin. Seu devaneio literário foi bruscamente interrompido pela campainha. Ela não se mexeu, sabia que a empregada se encarregaria de despachar quem quer que fosse. Voltando seu pensamento ao texto no computador, Íris começava a delinear o enredo quando uma batida leve na porta a trouxe de volta a realidade. A empregada entreabriu a porta.

– Desculpe, dona Íris. Mas a moça falou que não iria embora sem falar com a senhora.

– Tudo bem, Lúcia. Quem é essa moça?

– Ela disse que se chama Camila Soares. Falou que foi o senhor Larry que a mandou aqui.

Íris franziu a testa. Por que Larry a mandara aqui?, pensou a escritora. – Deixe-a entrar.

Uma mulher aparentando trinta e poucos anos entrou. Era alta e elegante. Seus cabelos negros emolduravam um rosto pálido e os olhos do verde mais brilhante que Íris já vira.

– Desculpe incomodá-la. Meu nome é Camila Soares e preciso que me salve.

A afirmação não surpreendeu Íris, que respondeu calmamente:

– Não sei se estou apta a salvar qualquer um.

– Larry me disse que se alguém poderia provar minha inocência, esse alguém era você. Meu marido foi assassinado e preciso de ajuda.

– Sente-se – Íris indicou a cadeira do lado oposto à mesa. – Não sei se Larry te falou, mas não faço mais isso. Sou apenas uma escritora agora.

– Ele disse, mas não tinha a quem recorrer. Não matei meu marido e a polícia pensa que sim. Pago o que for preciso.

– Não preciso de dinheiro. – Íris examinou a mulher. Era muito bonita. Suas mãos bem cuidadas apertavam nervosamente a pequena bolsa preta. – Aceita algo para beber? Vinho, água, suco?

– Não, obrigada. Por favor, você aceita meu caso?

– Ainda não ouvi seu caso. Você apenas disse que seu marido foi assassinado e que é suspeita. Entenda, já vi o bastante para saber que isso não é incomum. O que realmente aconteceu?

– Na última sexta-feira, nós convidamos um grupo de amigos para jantar. Tudo corria bem. Conversávamos normalmente, rimos com as piadas do sócio de meu marido, então, fomos para a sala de estar para o café. Enquanto falávamos, Mário simplesmente caiu morto. O legista diz que foi envenenado, arsênico, mas não acharam nada nem na comida, nem no café. A polícia não tem idéia de como ele ingeriu o veneno.

– E por que suspeitam de você?

– Por que ele estava tendo um caso. Acham que eu me vinguei. Não sei quem era a mulher, tenho minhas suspeitas, mas não o matei. Parece que também acham que eu teria mais facilidade em administrar o veneno. Fiz a comida, servi o café. Mas não o envenenei. Precisa acreditar em mim.

Íris encostou a cabeça e semicerrou os olhos.

– A mulher é sempre a primeira suspeita. Quem você acha que era a amante de seu marido?

– Marisa Negromonte. Ela estava presente. Eles estavam diferentes um com o outro. Ela é uma velha amiga dele. Sempre soube que ela o queria, mas só nos últimos meses comecei a suspeitar de algo.

– Acha que seu marido ia te deixar?

– Não, com certeza. Ele tinha muito amor ao dinheiro e o dinheiro é todo meu. Ela tem nome, é de família tradicional, mas está falida.

– Quem mais teria motivo para matá-lo?

– Não sei. De todos os presentes, acho que o sócio, João Fagundes, seria o mais provável. Mas não consigo imaginá-lo matando alguém. É um palhaço.

– Por que ele teria motivo?

– Eles estavam com problemas nos negócios. Mário fez um investimento desastroso sem consultar João. Perderam bastante dinheiro.

– Alguém mais?

– O Sergio estava bravo com o Mário. É um amigo nosso. Ele e a mulher estavam presentes. Ele é meio violento e tinham brigado uns dias antes, não sei porque. Mário não quis me contar.

– Vou precisar de uma lista com o nome de todos presentes no jantar.

– Estávamos eu, meu marido, meu cunhado, Sérgio e a esposa, João e a namorada da vez e Marisa. Acho que só. Sim, era isso. Vai aceitar o caso, então?

– Vou. – Ao ouvir a resposta, Camila sorriu aliviada. Íris a olhou atentamente. Não conseguia resistir ao pedido de uma mulher tão linda e Larry sabia disso quando a mandou.



Elis (brincando de Agatha Christie)

segunda-feira, agosto 21, 2006

Mais um final de semana...

Sábado chega e mais uma vez a promessa feita por mim mesma de deixá-lo para ficar em casa, fazendo o que é preciso para a faculdade, foi esquecida.
Depois de um convite (Vamos ver Hurtmold no Outs?) não resisti e lá fui eu.
Primeiro, Acheropita, no Bexiga, para me matar de tanto comer. Só uma polenta foi suficiente.
Depois, Outs.
Alex, do Laranja Mecânica, estava lá. Uns carinhas do Fraz Ferdinand também. Pessoas bizarras tentando chamar atenção, outros querendo chocar, mas nada me fez gritar e nem falar: Uau! Que linda(o)!
Ambiente legal, companhia maravilhosa dos amigos, som do caralho (opa!) e Smirnof Ice. Quer mais ou já está bom?
The Killers, Bloc Party, Kaiser Chiefs... Uhuuuuuuuuuuu! Mãos para o ar, socos no nada, cerveja na roupa, pessoas nos cantos se agarrando (e no meio da pista também).
Ué?! Eu conheço aquela pessoa! - Uhuuuuuuuuuuuuu! - Ah, não, não é ele! – Nossa! Eu amo essa músicaaaaaaaaaaaaaa! – Quem tá cantando? – O quêêêê? – Quem tá cantando? - Ah, não conheço! – Mas beleza, vamos dançar! – Ai, meu joelho! – Caraaaaaaaaaaaaaalho! Essa banda é foooooooda! – Cadê o Alex? Ele é igualzinho o cara do Laranja Mecânica. – Acho que a mãe dele amava o diretor! – Acho que ela o encomendou num laboratório! – Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Duas horas da manhã. Vamos para o andar de baixo ver a banda do dia. Os caras simplesmente são foda. Teve uma hora que fechei os olhos e fui levada para dentro de uma bola cinza, prata, sei lá. – Paula, vem para cá! Dá para ver melhor! – Lá vou eu!
Passa gente, passa gente, passa, gente, passa, gente, passa, passa, passa... – Ai, que saco! – Foto. Foto. Foto. – Acabou? Nãããããããããooooo! Mais um, mais um, mais um... - Música nova? – O cd não saiu ainda? – Não! – Tem o Cozido, o Etecetera, o Mestro, aquele com o The Eternals, mas o com essas músicas ainda não saiu! – E o cd novo do Cordel? – Esquece o Cordel, você tá vendo o Hurtmold! – Ah, foi mal! Eu não resisto!
Meu, os caras são muitos bons, não são!? - São sim! - E não dá para descrever o som dos caras! - É, não dá! - E que nem Cordel! Só Cordel é Cordel! - Tá bom Paula! Mas o show é do Hurtmold! - Ah! Eu sei!
Dançando...
Acabou! – Vamos subir, quero dançar mais... – Ah, não, vamos embora, eu tô ficando velho e não agüento mais essas coisas! (ele não disse isso, mas foi como se tivesse! Consigo imaginar direitinho! Hahahahaha...) – Subi...
Uhuuuuuuuuuuuuuuuu! – Ahhhhhhhhhhhhhh, mulequeeeeeeee! – Eiiiitaaaa! Olha aquela menina! Ela tá lambendo o peito do cara! Argh! Hahahahahahaha! Mordeu o mamilo dele! – Que nojo! O cara tá todo suado, fedendo, catinguento! Hahahahahahaha!!! – Vamos embora? – Não, tá bom aqui!
Dançando...
Ai, meu joelho! – Putz, pisaram no meu pé umas quinhentas vezes! – Nããããããããão... Bate cabeça nããããããão! Eu vou morrer! – Ufa! – Olha, o Renato disse que tá indo embora! – Ah, manda ele catar coquinho, caçar sapo! – Fala para ele que ele pode ir na frente! – Vou dizer que não achei vocês! – Beleza! – O quê? Que foi? – O Renato quer ir embora! – Você quer ir? – Não, tá bom aqui! – Tá bom então!
Dançando...
Ué, vamos? – Não, tá bom aqui! – Não, tá bom aqui! – Não, tá bom aqui! – Ah, The Doooooooooooooooors! – Uhuuuuuuuuuuuuuuu! – Rolling Stoooooooooooneeeeesssssssssss! – Satisfaction! Satisfaction! Satisfaction! – Credo! Eu só sei essa parte! – Vamos embora? – Agora não! Tá bom aqui! – Não, tá bom aqui! – Tá bom vai! Que saco! Cara chato pra cacete! Ainda bem que eu terminei com ele, na verdade, ele terminou comigo! Não dança, fica aí com cara de cu! (juro que eu pensei isso) Ainda por cima afirmou na festa da Acheropita que vai casar! Abraço! Eita! Ela tá levando ele na rédea curta! Isso porque mora em João Pessoa. Hahahahahahahahaha! – Ahhhhhhh, não! Depeche Mode! Daqui eu não saio!
Dançando...
Cara de bunda de alguém, porém feliz... Felipe morto, Daniel disfarçando, Paula doida...
Uhuuuuuuuuuuuuuuu! – All I ever wanted, all I ever needed, is here, in my arms... – Acho que tô cantando errado! – Ah, foda-se! – Uhuuuuuuuuu! – Agora podemos ir! – Ah, não! Billy Idol! – Dancing with myseeee-eellllllf! Ô, ô, ô, ô… (Paula sendo carregada para fora do club) – Lá lá lá lá... – Eu não queria ir! – Chega! – Ah!
Fila! Dinheiro! Comanda! Vamos!
Anda, anda, anda...
Pára para comer.
Tó! – Não, se eu comer eu vomito!
Cadê meu ônibus?
Oooooopa!
Todos dormem no ônibus, eu cochilo, é diferente!
Tchau, Fe! Meu ponto chegou, acordei na curvinha! – Tchau! – Amanhã a gente se fala! Manda um beijo para todos quando vocês descerem do ônibus! – Tá!
Dia seguinte.
Max liga, Bruno liga, Renato liga, Felipe liga.
Não, não vou não! Tô só o pó da rabiola!
Ufa!!!


Por Paula Cabral Gomes

quinta-feira, agosto 17, 2006

Quinta de manhã

6:30: Acorda com aquele barulhinho irritante do despertador. Levanta, lava o rosto, toma café, derruba leite pela cozinha, escova os dente, troca de roupa.

7:05: Pensa que já deveria ter saído de casa para ir na aula do Faro e que mais uma vez está atrasada.

7:09: Entra no carro, verifica se pegou tudo pra sair de casa. Vasculha na sua biblioteca móvel se o caderno está presente. Está. Liga o carro e o som. Toca Beatles.

7:10: Sai da garagem, dá bom dia para o porteiro.

7:15: Entra na Marginal Pinheiros. Pensa: "não suporto esses motoqueiros!".

7:20: O ânimo já melhorou. Está um belo dia, os raios do sol batem em seu rosto, o trânsito ótimo e canta Beatles.

7:22: Hora fatídica. Em plena Marginal olha pro amarelinho, marronzinho, sei lá! Olha para aquele indivíduo vestido com uma roupa ridícula, com uma bota mais ridícula ainda e lembra: "Fudeu! Hoje é dia do meu rodízio!".

7:22:37s: Olha pelo retrovisor, vê o cetezinho anotando a placa do seu carro. Pensa: "E não é que ele multou mesmo?".

7:27:37s: Passou a crise dos 5 minutos e a revolta com si mesma.

7:33: Cruza a Rebouças e vê outro inimigo, escapa pela direita e acelera.

7:39: Entra no estacionamento e tenta ser simpática com o manobrista. Não consegue. Sobe a porra da Monte Alegre e fica indignada que nunca consegue chegar no horário.

7:44: A luz da sala está apagada, não acredita que não tem aula! Se aproxima, a TV da sala está ligada, alívio. Não enxerga absolutamente nada e vai para o outro lado da sala. Esse mesmo.

7:45: Olha pra TV e não entende porra nenhuma do filme que já tinha começado.

8:37: O filme acaba, foi como um soco no estômago. Pensa: "preferia não ter entendido".

Por Bárbara Silveira Stefanelli

quarta-feira, agosto 16, 2006

Revolta!

Gente, essa faculdade é f***...
Estou aqui na pró-aluno, ou como diriam alguns... anti-aluno...
A fila de espera demora horas... só para conseguir usar a droga do computador, pra fazer a droga do trabalho e pra, finalmente, usar a droga da impressora que demora anos para imprimir (tudo uma questão de paralelismo).
Mas enfim, fizeram algumas coisas boas, mudaram os computadores para LG de tela plana... mas os mosquitos continuam... zilhões deles...bem em cima da minha cabeça, com a lâmpada piscando ainda!
O banheiro que é bom ninguém troca e nem limpa... (só para condizer com a situação mais uma vez... já que "daqui pra frente é só merda" - como pixado na porta do banheiro feminino da Comfil).
Bom... mau-humor nada, né?!
Tudo isso depois de pegar a marginal pinheiros e tentar relaxar um pouco ao ouvir Chico! Liguei o som e vi num relançe algo piscar (de novo - isso é um sinal) no painel do carro... continuei e aumentei o som... a mesma piscada, mas não conseguia ver direito o que era... mudei de facha de música e... novamente... aí percebi que era um STOP e um simbolozinho que nunca tinha prestado atenção na vida com um pinguinho!! bom, parei no posto de gasolina e perguntei se o moço poderia olhar a água...
Ele colocou mais água, mas eu mostrei o ícone impertinente no painel e o frentista disse que era óleo... Tinha que trocar, mas eu vou saber se a marca deve ser "X", "Super X" ou "Mega master hiper X"??? E pedi a de R$22,00 o litro... mas o moço disse que tinha que colocar mais de 2 litros, afinal, "Eu não entendia de carros mesmo"
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh....

Preciso voltar ao meu trabalho... mesmo que com o pouso intrometido do inseto na tela do computador!

Dri - revoltada!

Para refletir

Cota Zero

Stop.
A vida parou.
ou foi o automóvel?

Carlos Drummond de Andrade

postado por Babi!

DENÚNCIA

Gineceu!

Denúncia urgenteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

Carlos: "Essa não é pra casar. É pra METER"

QUE FINO NÃO?!?!!? hauahauahauhauahauahauahau

by Gi (atacando de feminista e pentelhando o meu socialista preferido hauahauahauahuahauahua)

terça-feira, agosto 15, 2006

Pílulas de sabedoria do jornalismo (ou só vício de linguagem mesmo)


"Essas são as frases que têm a cara dessa sala" - J.C. (em outro contexto, mas coube num momento de 'cuminação' - sim, ele também faz neologismos à la Max)

"POOOOOOOOOOOOOOOORRA MAX" - Universal

"Vamo no PUC on the beach?" - Max

"O couro não é importante" - Max

"Ai meu... eu bati na kombi" - Mário

"Acontece... Ah! Eu nem queria mesmo" - Mário

"Desculpa..." - Lulis
"Insônicaaaaaaaaaaa"
"...inho...inha..."

"Deixa eu falaaaaaaaaar!" ou "Tchô falááááááááá" - Dri

"Gente, o Faro é lindo" - Paulinha

"..." - Alan

"URGH" - Renê

"Puta merda, meu!" - Gi
"Eu não tenho paciência com essas coisas"

"Bracciola" (x110) - João, o Paulo

"Ai Max!" - Babi

"Ai gente, eu não tô bem" - Ester no Barrogan (clássico niver da Dri)

"Ma oeeee, vamo zuá o Meganhaaaaa" - Otávio

"Calma gente" - Thom

"Ai João, ele vomitou no meu colchonete" - Laura

"Laura, você é muito má" - Mário

"Não! Veja bem..." - Elis
"HA HA HA"

"Gente, vocês não prestam" - Mário

"Comunismo é coisa de vagabundo" - Carlitos

"Ninguém me chamou pra viagem de Atibaia!" (x80) - Laura

"Jumento" (x102) - João

"20 mil alunos na PUC, um faz merda: qual é o nome dele?" - Mário

"Ahhhhhhhhhhhhhhhhh.... muito obrigado então!" - Max

"Odeeeeeeeeeeeeeio o J.C." - Paulinha

"Amanhã não vou na loja, porque eu tô com uns problemas pessoais aqui" - Cara das camisetas

"Droga" - Max

"Aeow" - Max

"Sofia, tó! Tóóó Sofiaaaaa" - Dri

"Preciso tirar uma foto disso" - Dri

"Baixistaaaaaaaa" - Dri

"Dri, esquece esse baixista" - Mário

"Não liga não, porque o dele é pequeno... e FINO" - primeiro do Mário, depois universal

"Cara, cadê minha cerveja?" - João, o Paulo

"Pãtz" - Renê

"Vai falar que você já tomou uma facada?" - João para o Renê
"..." - Renê em resposta e levanta a camiseta

"Quero mais" - Dri

"Max, não aborrece" - Mário

"Max, pára de me cutucar, porra!!! Odeio que me cutuquem" - Mário

"Não agüento mais a aula de IPT" - Universal

"Chiiiiiico e não me venha perguntar qual? é óóóóóbvio que o Buarque... nada de Science" - Dri

"Isso não é verdade" - Gi

"Amo todos vocês" (abraço) - Ester no Barrogan

"Vamos hoje? Eles tocam roquezinho cha lá lá lá" - Lu

"Eu vou no show do Cordel" (balançando as mãozinhas) - Paulinha

"Adoooooooooooooooooooooooooooooooro" - Lu

"É o Zezão..." - Paulinha

"Ela sabe o que quer dizer índole?" - Gi
"Comportamento de manada, que nada, né?" - Lu

"Você também bebeu, você também bebeu, mas fica quietinha!" - Ester para Paula no Barrogan

"Vamos no KiaOra????" - Lu
"Quando que a gente vai no KiaOra?"
"Acho que nós nunca vamos no KiaOra!!!!!!!!!!!"

"O Bruno tá que nem eu!" (x10) - Paula no Barrogan

*Por Dri, Gi, Paulinha, Lú, Ester, Laura e a ajuda de alguns dos androceus... as outra meninas faltaram na ilustríssima aula de IPT!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Triiiiiiiiim....


Triiiiim....

Dri: Alô?
Secretária: Alô, é a Ariane?
D: Sim – achei que tivesse ouvido Adriane.
S: Você vem para a consulta marcada com o Ortodontista?
D: Sim, amanhã às 15:30.
S: Não, hoje às 10:00.
D: Acho que houve um problema de comunicação, pois não posso às quintas.
S: Não, eu mesma que te atendi ao telefone e marquei na quinta-feira.
D: Então desculpe, mas não poderei ir hoje, tenho aula.
S: Você quer remarcar?
D: Assim que eu chegar em casa dou uma olhada nos meus horários e te retorno. É nesse mesmo número?
S: Sim. Você não é aquela menina que fez a documentação há muito tempo atrás e não tem tempo de vir à consulta?
D: Sim.
...
silêncio
...
S: Então me ligue e te dou os horários disponíveis do Doutor Sérgio.
D: Doutor Sérgio??? Mas eu marquei com o Doutor Marco.
S: Você não é a Ariane de Souza Pereira???
D: Não. Sou Adriane dos Santos Piscitelli.
...
S: Meu Deus! Me desculpe, acho que a sua consulta com o seu ortodontista está marcada.

domingo, agosto 13, 2006

Blog Gineceu

Incompreensão, posteriormente
Ressentimento, posteriormente
Indignação, posteriormente
Revolta, posteriormente
Tristeza.

Só pra registrar que não fui chamada pra viagem a Atibaia.

Por Lauríssima.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Isso é um post?

Eis que finalmente, após dois meses de ausência (e esquecimento), lembrei-me de visitar o melhor blog jamais produzido (tenho certeza disso, embora apenas o tenha visitado agora) e até consegui me logar.

Meninas, juro que vou ler tudo, e aguardem posts meus sobre o mundinho-PUC-burocrático em breve.

terça-feira, agosto 08, 2006

Por um minuto

Na época em que eu o conheci, morava praticamente a um quilômetro de um puteiro. E agora, preciso de um pouco da sua imaginação. Imagine uma casinha caindo aos pedaços, com as paredes sujas e descascadas, sim, daquelas que você consegue ver as cores das tintas que passaram pelas paredes de fora ao longo dos anos. Tenha em mente muitas mulheres dentro dessa casa, é, daquelas que só jogam charme para os clientes de muitas cifras (apesar de elas não conhecerem realmente o que é um homem de muitas cifras de verdade). Agora pense em uma mulher de cabelos pretos e compridos, da pele morena, com os pelos do corpo loiros e tingidos, com as pernas belas e torneadas. Ela, a Conceição, sempre de vermelho, cor das mulheres que desejam muitas coisas ao mesmo tempo, principalmente um bom trocado para comprar mais do que lhe vier a cabeça, é uma das "damas" que trabalham na casa, aliás, a mais disputada, e, como fiquei sabendo mais tarde, a acompanhante de muitas noites do meu único desejo.

Já fazia um tempo que eu o observava andando na rua, um homem de peito estufado e olhar carnívoro, indo para aquela espelunca imunda para encontrar a vadia da Conceição. Como eu queria ter gostado dela também, ou de qualquer uma das outras, mas ela era a única que me dava vontade de jogar nos cantos e enfiar os dedos. Talvez porque essa fosse a vontade dele, ou, porque eu gostaria de ver um pouco de dor naquele belo rosto sempre sorridente.

Com o passar do tempo ele também notou a minha existência, e passou a me olhar com aquele olhar selvagem, que poderia me asfixiar se eu o fitasse por mais de meio minuto. Até que um dia resolvi segui-lo até a casa daquelas prostitutas. E com certeza essa foi a pior idéia que tive na minha vida.

Ao entrar na casa logo vi a atração principal da noite, Conceição. Era como se tudo estivesse acontecendo em torno dela somente para ela existir, como se o mundo fosse feito só para poder recepcionar Conceição. Ela, de vestido vermelho, com um decote daqueles que deixa qualquer homem curioso, ria, dançava e conversava com todos, era incrível como ela parecia gostar do que fazia. E também era perceptível como ela dava mais atenção para aquele homem que tinha me atraído tanto. Depois de um tempo, alguns minutos depois que ele me cumprimentou, entendi o porquê da atenção especial que Conceição o dava, afinal, era impossível tratá-lo como se fosse um qualquer.

Foi nessa mesma noite que conversamos pela primeira vez, ele com todo o seu carisma me abordou dizendo que já havia me visto algumas vezes e perguntando se eu o acompanharia em alguns tragos de pinga. Obviamente respondi que sim, por mais que nunca tivesse colocado uma gota de álcool na boca, coisa que ele reparou logo que dei o primeiro gole. Ele foi logo se apresentando, dizendo que era o Bernardo, que já havia trabalhado com muitas coisas, e que sua última ocupação era no ramo de construções, que gostava muito de música e que inclusive tocava violão, enfim, ele falava de muitas coisas, poderia ficar ouvindo as suas histórias por horas e horas. Aprendi muito com Bernardo, mais do que ele possa imaginar.

A partir daquela noite comecei ir com bastante freqüência na casa daquelas putas, só para ver o meu amigo, e ouvi-lo contar sobre sua vida. Mas nossas conversas sempre eram interrompidas pelo sexo barato da Conceição. Engraçado, a caminho do quarto, Bernardo sempre me perguntava se eu também não ia comer alguém, e nessa hora eu sempre olhava para baixo.

Um dia, no final da tarde, horário em que eu costumava sair de casa para encontrar Bernardo, nós nos trombamos na rua. E esse foi o dia. Eu o vi na esquina de casa, me esperando, esperando para me foder. Estávamos andando e conversando, a essa altura eu já me sentia confortável ao seu lado. Faltando um pequeno trecho para chegar ao puteiro, ele me disse que precisava voltar porque tinha esquecido de pegar alguma coisa em sua casa, não me lembro o que, e me perguntou se eu gostaria de acompanhá-lo. Como responder não?

Entrando em sua casa, um quarto de uma agradável e modesta pensão, fiquei o esperando sentado no sofá, enquanto ele revirava um armário da cozinha, que era junto da sala. Hoje sei que não era nada que Bernardo estava procurando naquele armário, ele só queria mesmo era se trancar em algum lugar e ter tempo para refletir, quem sabe se ele tivesse ficado mais um minuto com a cara dentro daquele armário nada daquilo teria acontecido mais tarde? Sorte a minha que esse minuto não se realizou.

Depois de uns três minutos revirando aquele armário, que para mim pareceram mais é três horas, ele voltou com as mãos vazias. Mãos que depois de alguns minutos em silêncio e alguns olhares encabulados voaram para cima de mim, como dois animais selvagens, famintos e ferozes. Primeiro ele começou acariciar meu rosto, carinhos que pareciam mais é tapas, e, quando vi, ele já estava dentro de mim, dentro como ninguém jamais havia entrado. E logo após que aquela dor dilacerante desapareceu, aí sim comecei a sentir o gozo sair de mim. Naquela noite senti sensações que nunca havia experimentado, sensações que me perseguem até hoje.

Quando tudo terminou, nenhuma palavra foi dita, apenas nos trocamos e saímos para a rua, como se nada tivesse acontecido. Sei que ele nunca havia experimentado o que nós fizemos nesse dia, e justamente por isso é que nunca mais nos vimos novamente. Eu ia até o prostíbulo desesperado por encontrá-lo e relembrando todo tempo cada gesto dele, tentando achar alguma esperança em algum deles.

Esperança que morreu no dia em que ouvi Conceição dizer para um de seus homens que ela ia embora, que ela havia encontrado alguém que a amava de verdade e que queria tirá-la daquela vida, esse alguém era Bernardo. O que aquela desgraçada sabia de amor? Ela amaria qualquer um que tivesse uns bons trocados no bolso.

E essa também foi a última vez que vi Conceição. Depois de alguns dias fiquei sabendo por uma daquelas putas que os dois haviam partido para outra cidade. Essa notícia acabou comigo de tal forma que me afundei em profunda escuridão por muito tempo. Só que essa fase da minha vida não merece nem um breve parágrafo.

Até que um dia resolvi mudar o rumo da minha vida, afinal, do jeito que as coisas estavam caminhando, a única coisa que eu iria ganhar era absolutamente nada. Pobre do meu amigo, e pobre de mim, que nunca mais senti por ninguém o que eu senti por ele. Aquilo sim era verdadeiro, amor que nem 20 anos de casamento e nem 3 filhos conseguiram apagar da minha memória.

Por Babi

domingo, agosto 06, 2006

Insônica!!!

Eu sei que muitos já ouviram falar do grupo Insônica, mas eu precisava colocar alguns elogios para os caras aqui para ver se convenço pessoas a irem conosco nos próximos shows

Os caras mandam muito bem, tocam bem, o Fabio, vocalista, é maravilhoso. Tem uma voz linda, bem lehor do que muitas gente que faz um puta suceso por ai.

Caso alguém tenha ficasdo curioso, espero que sim, entre no site:
www.insonica.com.br
e confira o poder da voz do Fabinho.

Beijos, galera querida de Jornalismo 2006.
Adoro nossas folias!

por Paula Cabral Gomes

quinta-feira, agosto 03, 2006

Deus é pra quem pode alcança-lo


A beleza dessa foto parece ignorar o terror e a dor que aconteciam logo abaixo dela. A vida pode ser muito conflitante mesmo né?
"Deus é pra quem pode alcança-lo", já disse C. Lispector em A hora da estrela.

Legenda da foto: Avião israelense, com a lua ao fundo, sobrevoa a cidade portuária libanesa de Tiro durante ataque nesta quinta-feira

by Gi


Oração do ROCK

Elvis Presley que estais no Céu,
Muito escutado seja Bill Haley,
Venha a nós o Chuck Berry,
Seja feito barulho à vontade,
Assim como Hendrix, Sex Pistols e Rolling Stones.
Rock and roll que a cada dia nos melhora,
Escutai sempre Clapton e Neil Young,
Assim como Pink Floyd e David Bowie, Muddy Waters e The Monkees.
E não deixeis cair o volume do som,
Mas livrai-nos do Axé.
Amém!
(Oração dita pelo locutor da Kiss FM)
Por Paula Cabral Gomes
(Nossa! Paula? Que Paula? Aquela que sempre posta juntamente com a Elis?
Isso mesmo! Sou eu...)

quarta-feira, agosto 02, 2006

Esperem

Meninas,
estou com muitas idéias para um conto. Será o meu primeiro, peguem leve com as críticas! ( :
Portanto, esperem...

Por Bárbara Silveira Stefanelli

Chico!

Moças!!!
eu queria muito pedir a opinião de vcs sobre essa crítica. Boa leitura!
=***
Gi


Chico não é Gardel
por Ademir Luiz

Após ler alguns ensaios sobre o recém-lançado CD Carioca, o novo trabalho de Chico Buarque de Holanda, meu Superego lembrou-se da célebre frase de Vinicius de Moraes: “Chico é a única unanimidade nacional”. Em seguida, infelizmente, meu Ego não conseguiu evitar lembrar-se de que “toda unanimidade é burra”, conforme dizia Nelson Rodrigues. Como conseqüência, meu Id não pôde evitar o impulso de escrever este pequeno comentário.
Não se trata de uma réplica. Não pretendo refutar o conjunto de respeitáveis articulistas que escreveram tais resenhas apologéticas. Tampouco ouso questionar a inquestionável genialidade de Chico Buarque. Quero apenas refletir acerca de uma estranha tendência de parte de nossa crítica musical: querem transformar Chico Buarque em Carlos Gardel. Como se sabe, para os argentinos, o cantor de tangos Carlos Gardel, embora morto em um desastre de avião em 1935, canta cada vez melhor.
De forma semelhante, para nós, brasileiros, Chico Buarque, apesar de estar em nítido e natural declínio criativo, ou mesmo literalmente sem assunto, compõe cada vez melhor. Fazendo uma analogia com o futebol, esporte que Ele adora, Chico Buarque anda jogando com a “camisa”. Para constatar isto basta ler as críticas a seu novo CD. A maioria absoluta trata pouquíssimo do álbum em si. Cerca de dois terços dos textos são dedicados a relembrar a saga buarquiana. Começam por sua privilegiada árvore genealógica, passando pelo “retrato do artista quando moço”, suas participações nos festivais musicais dos anos 60, os problemas com a censura do Regime Militar, o auto-exílio na Itália, o retorno glorioso em 1970, o flerte cada vez mais intenso com a literatura etc. Sobre Carioca, poucas palavras. Será que falta assunto? Ou falta mesmo é música?
Das 12 faixas, cinco são regravações. Não é o caso de questionar a relevância do desejo de um artista fazer uma releitura de composições antigas. Contudo, neste caso em particular, fica difícil não perguntar se, depois de oito anos sem gravar, este mesmo artista não teria músicas novas que desejasse mostrar ou fixar para a posteridade. Tantas regravações se justificam? E a real qualidade das canções inéditas? O tão propalado refinamento de estilo, que alguns insistem em defender, parece-me mera falácia. Mas, se até os fracos livros Estorvo, Fazenda Modelo e Benjamim, costumam ser aplaudidos com entusiasmo, não é mesmo fácil criticar desapaixonadamente a produção musical recente do maior compositor brasileiro de todos os tempos.
Por que tanto pudor em analisar o “atual” Chico Buarque? Será que uma crítica sem condescendência levaria a uma indesejável visão da nudez do rei? Convenhamos, perspectivas políticas à parte, concordar em cantar ao lado de duplas sertanejas não é magnanimamente permitir-se jogar pérolas aos porcos, é simplesmente lamentável. Uma mancha no currículo. Cheira à concessão mercadológica pura e simples. Se fosse Caetano Veloso, ainda poderíamos imaginar tratar-se de algum tipo de provocação. Sendo Chico Buarque, não há justificativa. Não precisava disto. Nem seus admiradores, dentre os quais me incluo.
A verdade é que, cada vez mais maduro enquanto escritor, Chico Buarque parece entediado com a música. Já tentou revelar isto, porém, comicamente, não deixaram. Aconteceu no Programa do Jô. O rotundo entrevistador perguntou-lhe os motivos de sua cada vez mais escassa produção musical. Com toda honestidade, Chico Buarque respondeu que MPB é coisa de adolescente e que agora cultiva outros interesses. Chocado, Jô Soares quase teve uma síncope. Percebendo o alcance da declaração, o “cordial” Chico Buarque, tentou como pôde remediar a polêmica. Ficou o dito pelo não dito. Conclusão: Chico Buarque tornou-se uma unanimidade tão absoluta (burra!?) que acabou maior do que a própria vida. Está além do bem e do mal. Homem inteligente que é, não tenho certeza que compactue com isto. Como é confortável, “vai levando”. Talvez desejando secretamente que apareça um Nietzsche em sua vida, para fazer dele seu Wagner. Um abusado que o questione, quebrando a monotonia do sorumbático festival de elogios que há décadas o persegue.
Os críticos-admiradores, ou admiradores-críticos, de Chico Buarque não precisam se furtar em admitir que todo artista, por mais icônico que seja, fatalmente chegará a seu outono criativo. Isto não desvaloriza sua obra anterior. Pelo contrário, é positivo: não deixa a desagradável sensação de que poderia ter realizado mais, como nos casos de Mozart e Rimbaud. Afinal, Stanley Kubrick ter terminado a carreira com o insosso De Olhos Bem Fechados, não muda o fato de que ele dirigiu os geniais 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Laranja Mecânica. O próprio Borges, que publicou até as vésperas de sua morte, em 1986, reconhecidamente lançou seus principais livros, Ficções e O Aleph, entre 1944 e 1949.
Devemos deixar Chico Buarque em paz. Idolatria cega não o ajudará a criar. Se ainda tiver que produzir mais algum canto de cisne, ele virá naturalmente. Não precisamos sobrecarregá-lo com o fardo de ser a âncora perpetua da MPB. Ele já deu seu quinhão. E já foi feita a troca de guarda. Se ainda não surgiu sucessor digno, temos alguns bons candidatos: Lenine, Arnaldo Antunes e, principalmente, Zeca Baleiro, dentre outros. Chico Buarque foi grande e ainda é grande, mas, ancorado em um saudosismo tacanho, não admitir que “nada do que foi será” é o mesmo que, em pleno século 21, querer escalar o sexagenário Rei Pelé para formar dupla de ataque com o jovial Ronaldinho Gaúcho.
Ademir Luiz é professor de história da UEG - Universidade Estadual de Goiás e ficcionista.