segunda-feira, março 26, 2007

Diário de Bordo: Roger Waters

São Paulo, 24 de março de 2007.

Eu, Gustavo e Luana decidimos ir ao show. Por morar mais perto dos pontos de venda (Credicard Hall e Estádio do Morumbi – também conhecido como “La Bambinera”), comprei os ingressos. Quase esgotados e sem meias, o melhor setor era a Arquibancada Laranja, por R$140,00.

Ingressos em mãos. Estávamos empolgados para o espetáculo que se aproximava. Não apenas um show musical, mas um verdadeiro espetáculo de som, imagem, público.

Não conseguimos chegar juntos ao local. A princípio eu estava sozinha, até que na sexta-feira, dia 23, meus primos me ligaram e disseram que ganharam ingressos. Acabei indo com eles.

Chegando ao Estádio do Morumbi, a fila para a Arquibancada Laranja parecia não ter fim. Dobra uma esquina, dobra outra e mais algumas, dando a volta no estádio.

Já não acreditando mais no tamanho da fila, ouço uma voz familiar gritar: “Dé! Dé!”. Para minha agradável surpresa, era Lulu. “Que alívio, poderemos cortar a fila!”, pensei.

Doce ilusão. Os fãs acéfalos logo atrás da Lulu não deixaram que eu e meus primos entrássemos ali. “Já pensou se todo mundo fizer isso?”, disse uma loira metida a besta.

Tudo bem, seguimos mais um pouco e chegamos ao fim da fila. Finalmente! Gu me ligou e disse que estava andando em nossa direção. Quando o vi, acompanhado do vocalista de sua banda, fui buscá-los e ninguém se incomodou com eles cortando fila.

Ficamos mais de uma hora em pé, mas foi divertido. Já disse um amigo meu “a fila é a melhor parte do show”. Não sei se ele tem razão, mas o tempo passou rapidinho. Impossível ficar sem rir ao lado desses dois meninos!

Finalmente entramos e então nos separamos. Fiquei apenas com meus primos. Na minha frente, um casal brigava (a mulher era fã da banda, o homem não e, aparentemente, sua ex-namorada havia lhe telefonado, resultando em escândalo), um outro casal, a mulher estava grávida (cansei dos comentários do tipo: "esse já vai nascer ouvindo música boa, hein...”) e uma mulher ao meu lado não parava de chorar (será de emoção?).

Assim que sentei, as luzes se apagaram e o show começou. Vamos ao que interessa.

O palco era lindo! Com um telão 3D ao fundo e mais três telões espalhados pela pista de cadeiras. Os efeitos eram fantásticos. Psicodélicos, bem estilo Pink Floyd. Uma pena que em alguns momentos, a imagem dos telões e o som não estavam sincronizados.

A banda tem tudo que se espera de Floyd. Baterias acústica e eletrônica (Graham Broad), guitarras (Dave Kilminster, Andy Fairweather e Snowy White), teclado (Jon Carin), baixo (Roger Waters), saxofone (Ian Ritchie), órgão (Harry Waters), voz principal (mais adiante explicarei o que aconteceu) e três mulheres de backing vocals (Katie Kissoon, P.P. Arnold e Carol Kenyon).

Pra começar, Waters tocou algumas músicas próprias, como Leaving Beirut e Perfect Sense, e alguns clássicos da banda que o tornou o que é, como Wish You Were Here, In The Flesh e Mother. Além de Shine On You Crazy Diamond, com uma belíssima homenagem a Syd Barett (quem quiser saber mais sobre ele, tem um texto no Nada).

Após um intervalo de 15 minutos, a banda voltou e tocou na íntegra uma das mais belas obras de arte da história da música: The Dark Side Of The Moon. Os maiores clássicos da banda estão nesse álbum (Speak To Me / Breathe, On The Run, Time / Breathe, The Great Gig In The Sky, Money, Us And Them, Any Colour You Like, Brain Damage e Eclipse).

A combinação entre as músicas, sua sonoridade escura e as imagens que apareciam no telão era incrível, perfeita! Verdadeiro trabalho de mestre.

A banda deixou o palco e, obviamente, voltou para o “bis”. Acompanhados de um coral de crianças (que parecia ser um playback), tocaram Another Brick In The Wall. Fecharam com a belíssima Comfortably Numb, que é uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos. Seu solo é um dos mais emocionantes que existem, cheio de feeling e pegada.

O ponto alto da apresentação foi o porco voador. Sim, um porquinho cor-de-rosa flutuou sobre a pista durante a música Sheep, ainda na primeira parte do show. Nele, estavam pichadas algumas frases: “all we need is education”, “hey, killers, leave our kids alone”, “o medo constrói muralhas”, “ordem e progresso?”, “salve a Amazônia” e “Bush, o Brasil não está a venda”. Ele foi “libertado” algum tempo depois e saiu voando pela região, acompanhado por um feixe de luz até sumir de nossas vistas.

O som no estádio estava fantástico. De qualquer lugar podia-se ouvir perfeitamente as músicas. Até parecia um DVD. Eu fiquei numa das últimas fileiras, acredito que havia alto-falantes por ali, pois os efeitos sonoros das músicas (como risadas psicóticas e helicópteros) estavam muito bons.

Waters já não é mais o mesmo. Continua sendo criativo, tocando absurdos, mas sua voz já não o ajuda mais. Como podemos ver em alguns vocalistas dos bons tempos do rock ‘n’ roll, pois poucos continuam tendo a mesma poderosa voz.

Porém, Waters foi muito inteligente. Ao invés de demonstrar essa falha, cantou algumas músicas apenas, tocou várias instrumentais e dividiu o microfone com Kilminster e Carin, que fizeram bonito.

Ouvir Pink Floyd é sempre muito bom. Claro que os fãs gostariam mais de ver a banda toda reunida, como aconteceu no Live 8. Porém, qualquer pequena mostra de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, uma das pioneiras do rock progressivo é um privilégio, uma verdadeira honra.

Set list

In The Flesh

Mother
Set The Controls For The Heart Of The Sun
Shine On You Crazy Diamond
Have a Cigar
Wish You Were Here
Southampton Dock
The Fletcher Memorial Home
Perfect Sense
Leaving Beirut
Sheep

Speak To Me / Breathe
On The Run
Time / Breathe
The Great Gig In The Sky
Money
Us and Them
Any Colour You Like
Brain Damage
Eclipse
The Happiest Days Of Our Lives
Another Brick In The Wall
Vera
Bring The Boys Back Home
Comfortably Numb

Dé (ainda emocionada)

3 comentários:

Zine Qua Non disse...

Dé, que maravilha!
Eu tava toda empolgada no sábado só de saber que bons amigos meus iriam ao show do "Rogério Águas" e iriam se emocionar bastante.
Ainda bem que foi bom e que o som era tetrafônico, né, Gustavo?

Beijos
Em abril será minha vez...

Anônimo disse...

Essa vai pra Sandra Rosa: hey teacher, leave the kids alone!!

Anônimo disse...

nossa...muito bom o texto...
realmente, show grande assim é cansativo, mas vale a pena...lembro do Red Hot no Pacaembu.
Este ano eles voltam...tomara!

parabéns pela cobertura, gineceu!