12/08/2007
Observe. Quase todo mundo fala bem daquele amigo que faz dribles sensacionais no futebol das quartas à noite ou do outro que sempre tira boas notas na prova de matemática; da amiga que é desejada por um exército de marmanjos (e algumas "marmanjas" também) ou da que "com certeza será a médica da turma". Porém, em volta dessas pessoas sempre há aqueles que cochicham pelos cantos: "esse Ricardo é muito metido a jogador de futebol" ou "aquela Letícia acha que sabe de tudo no mundo".
Assunte, então (cacófatos, iurru!). Há duas formas de você falar das virtudes dos outros. Uma é reconhecendo, valorizando e aplaudindo. A outra é tentando ridicularizar e diminuir. É tentando induzir seu interlocutor ao erro de enxergar nos valores do sujeito em questão defeitos e vícios insinuados com ironias baratinhas, dessas que se encontram nas brigas do jardim de infância: "vai, girafa". Fala o nanico desaforado para o grandalhão.
É tentar fazer o vinho parecer suco. Ou melhor, pra ser bem BRASILEIRO, é tentar transformar cachaça da boa em álcool puro. Quando isso vem de um bom humorista, tudo bem. Até dou risada. Mas de um texto pretensamente sério? Aí não dá!
Note que foi exatamente esse o comportamento da revista mais lida do país com relação à um movimento autêntico: A Música Independente. Ela foi quase, quase mesmo, engraçadinha.
(Tic, tac, tic, tac... Cultura é a forma ou etapa evolutiva das tradições e valores intelectuais, morais e espirituais de uma civilização. É um complexo de atividades, instituições e padrões sociais ligados à criação e difusão das belas-artes, ciências humanas e afins. Você sabia??? Tic, tac, tic, tac... Certo colunista, na revista onde só colunistas assinam as (anti)matérias, garante que o Brasil é um país sem cultura. Ops...como isso é possível... Você sabia??? Tic, tac, tic, tac...)
Olhe, antes de tudo vamos desarmar os ânimos de alguns que podem reivindicar a autoria disso ou daquilo: ninguém aqui se quer inventor do "andar pra frente" alheio. Mas essa pólvora chamada de música independente "tá na roda"...ops... Quer dizer, isso tudo também é, com muita legitimidade, nosso.
Ói, música independente é mais que uma tendência. É uma constante. Um novo momento para a produção musical no mundo todo. Mas o "folhetim(zinho - pra melhor dimensionar) de intrigas politiqueiras" não dá a mínima pra isso. Nós também não: pra ele(a). Ou devemos ligar...hum...
Perceba que quem está se expressando agora somos nós. Coisa nova. Assim, não cabe aqui aquele lugar-comum de quem se preocupa em garantir o direito da revista expressar as bobagens que bem queira. Sim, sabemos. Mas vamos confessar: quem quiser que sonhe em compartilhar dessa """EXPRESSIVIDADE"""... (haja aspas: vai voar!!!). Vai sonhando: alada assim (outra vez: cacóf, cof, cof...), mais parece algum regime: a ditadura do mau gosto. Quem sabe...
Espie só tudo isso: O primeiro episódio dessa grande comédia se deu na chegada do nosso querido repórter sem nome. Vamos batizá-lo de "O Inominável Homem das Cavejas". Inhoca, pra simplificar. Isso poderia até virar um jargão para jornalista meia-boca: "que materiazinha "inhoca", hein...".
A pergunta mais maravilhosa de nosso Inhoca foi: "Fernando Anitelli, você tem alguma profissão, ou SÓ toca?". Não é preciso dizer que isso causou uma comichão no nosso camarada...EPA...(desculpem-me. "Camarada" é como blasfêmia e está proibida por certos semanários).
Bom, continuando, nosso AMIGO cantor sentiu uma enorme vontade de responder que sim, tinha uma profissão "pra valer": era cirurgião de "Medula Óssea Encravada" do HC (MOE-HC, para os iniciados). Mas só exercia esse elevado labor da medicina "Paramolequelá" quando estava de folga dos seus deleites irresponsáveis de músico: viajar pelo país fazendo shows, ensaiar com a banda, supervisionar atores circenses...
Ah, dar entrevista para repórter inteligentíssimo como aquele, não conta. É difícil. Esse era, parafraseando o bom Agamenon, "ralo" mesmo. Agora imagine só, nosso heróico Inhoca entrevistando... Assim... Ah, um Adib Jatene, vai: Dr. o senhor tem outra profissão ou SÓ mexe com coração mesmo... Será??? hum...
Dias mais tarde, edição em punho. Bradei: "(depois) lavo minhas mãos". Isso é uma citação, viu? Eles vão adorar: citações sem nexo e "trocara...(hum?) do carilho" são com eles mesmos. Eu acho bonitinho...
Logo vemos no título dessa matéria - em decomposição um achado que não diz nada. Parece querer desqualificar os grupos por serem juvenis, segundo o "provecto" (palavra difícil: êba, o redator gosta de mim, eu sei o que - ele é "provecto", êba!).
Sendo assim, Jimi Hendrix, Beatles, Mozart, Medelssohn, Jesus Cristo, todos atingiram o ápice da criatividade quando eram "malfadinhas", ou seja, entre os 20 e 30 anos (segundo o achado...). Realmente "eu quero ser isso todo dia". Tudo coisa de um falso jornalismo (eu ia usar pseudo mas podem me chamar de "cabeça". Entendeu, entendeu...) típico de algum, não digo qual, DINONICOSSAURO (pronto, to contratado pela revista: achei uma palavra sem uso desde eras remotas. Viva, viva, viva!!!).
Aliás, Dinonicos são, quase sempre, especializados no jogo encarniçado de influências na "politicanalha" brasileira. Em que os aliados são cobertos por um escudo de invisibilidade e os adversários são qual a Geni de Chico... Ai meu pai...todos conhecemos a canção "Geni", de Chico Buarque, não é mesmo?: sujeira na cara.
Derrubar desafetos é com eles. Falar de MPB nunca foi. Que o digam todos os Tropicalistas: Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil e por aí vai. Odeie-me, "Revistinha de Jornalismeco em Quadrinhos", eu imploro: me odeie!
Logo adiante, o (mau)humorista desempregado fazendo bico como "palpiteiro de gosto" fala em "rock cabeça". Essa nova forma musical, até agora desconhecida dos músicos do mundo todo, não teve seus mistérios desvendados ali. Mas, se cheguei à conclusão certa, tem algo a ver com as formações instrumentais. Então, "rock cabeça" também era o que fazia nosso querido Stravinsky que lá no começo do século XX compôs coisas como "Les Noces" escrita para quatro pianos, percussão e coros.
Como esse menininho lindinho da revista pode ser tão retrógrado e desinformado a ponto de se escandalizar com algo que só espantaria a cem anos atrás? COMO? Agora, pode ser que "rock cabeça" não seja uma forma musical e, sim, uma classe social: universitários-presepeiros-burguezotes-esquerdóides! Hum, falou, falou, falou e nada disse.
Quando eu vejo grupos dominantes apedrejando universitários, me lembro de uma tomada do filme "Mississippi em Chamas" na qual o prefeito da cidade, membro da Ku Klux Klan (aquele grupo de encapuzados que queimava negros no sul dos EUA), falava para Gene Hackman sobre os ativistas pelos direitos humanos que teriam sido assassinados o seguinte: "... nós vivíamos tranqüilamente aqui (humilhando negros, mulheres, judeus e etc) até aparecerem esses universitários BADERNEIROS".
É o mesmo espírito. Aí tenho que citar, mesmo sem nenhuma afinidade, algum Edir: "Chô", Satanás!
Pois, se esse movimento é cabeça, calma, ele ainda pode ganhar tronco, membros e se transformar em um corpo. Infinitas "presepadas" são necessárias neste país. E elas precisam vir, muitas vezes, dos universitários. Que não seja certa campanha (juro que não digo qual) em pró da "vaia pública à algum adversário das próximas eleições" o que vai mobilizar o povo brasileiro (aí a gandaia ta liberada, né7). Que não sejamos, NUNCA MAIS, massa de manobra de interesses "cretinóides". De intrigas de poder.
Para esta nação, toda a nação, indiferente de ser universitário ou analfabeto; de ser classe média ou baixa; de ser músico ou cirurgião, o que importa é a moralização profunda dos costumes. É a liberdade total das escolhas individuais. Nós buscamos isso e, felizmente, certas forças não "fazem as cabeças" e perturbam os corações como antes.
(O grande pensador inglês, Stuart Mill, em 1869 sobre os direitos das mulheres: "o princípio que regula as relações sociais existentes entre os sexos... deveria ser substituído por uma igualdade perfeita...". Você sabia???... Tic, tac, tic tac...
Colunista de "grande circulação em revista" em 2007: "... e daí se é prostituta? Muita menina enturmada que não cobra pela sacanagem se porta de modo bem pior...". Hein? O que? Não entendi: ta revoltada com a violência ou com a conduta das mininas7 hum... Você sabia??? Tic, tac, tic tac)
Faz algum tempo que revistas e jornais se preocupam com seu futuro. Há uma fenda no quarto poder que se alastra a cada dia. A informação já não pode ser monopolizada. Claro que há um universo de boatarias na internete, mas há muita informação válida e sólida. Os jornais estão na rede. As revistas também. Grandes nomes do jornalismo tradicional, com suas reputações e credibilidade, estão espalhados em centenas de blogs por aqui.
Agora é a vez do Capital começar a escorrer das mãos desse império. Império com menos capital hoje, será menos imperial amanhã. A força de pressão do povo que, sem opção, sempre acaba sustentando seu opressor, pode aumentar.
E nem venha com esse papo bobinho de que a internet é só da classe média e por isso não é representativa. A classe média tem um enorme valor. Além de tudo, aparecem mais e mais espaços baratinhos de acesso à rede pelas periferias. É inevitável que esse fenômeno se popularize. Isso é dinheiro em jogo. E o capitalismo precisa tanto de dinheiro que vai financiar qualquer coisa que gere dinheiro...
Hoje o que surge na internete logo se espalha. No dia seguinte repercute na imprensa velha. Como você chamaria isso? Eu chamo do nascimento de um quinto poder: o poder de articulação de massa. Por exemplo, você pode ter a brilhante idéia de sugerir a todos os seus amigos o seguinte:
"ATENÇÃO: você pode ter sido chamado, pejorativamente, de neo-hippie por buscar a liberdade, a paz e o amor; por querer manter uma harmonia entre si mesmo e o universo ao seu redor; por respeitar o indivíduo e o coletivo; por julgar fundamental a distribuição das riquezas do mundo; por pretender não ser mesquinho nem cínico... Então, aconselho que você cancele imediatamente sua assinatura da revista X, pois ela, por não concordar com nada disso, considera você um verdadeiro VERME ASQUEROSO".
Em suma, o mundo agora começa a ser PROBLEMA SEU. PROBLEMA DE TODOS NÓS. TODOS. Sabe como isso se chama? PODER. E poder é também RESPONSABILIDADE. O que você fará com sua partícula de poder se o telejornal mentir descaradamente para sua família? Se o vereador desapareceu depois das eleições municipais? Se o senador é um picareta e não dá a mínima para a decência? Eu aconselho que você comece a usar sua ínfima parte nesse novo "quinto poder": espalhe sua indignação. Convoque seus amigos.
Agora, se você estiver do lado dos imbecis, dos falso-moralistas, dos racistas, dos que massacram nossa identidade cultural, dos que cospem em nossa auto-estima, dos que enganam e assassinam, então nem se mexa: não há nada para ser mudado. E saiba: estamos de lados opostos.
Fora isso, pouco me importa seu partido. Quero saber qual é sua ideologia. Esquerda, direita: só não fique em cima do muro. Claro que o Brasil não está rachado entre classes estanques. Na verdade, o país exige como um todo o debate franco e profundo. O cidadão comum não aceita ser convocado para guerras partidárias. Nossa luta é pelo país, pela vida e pela união desse povo tão ricamente distinto em sua CULTURA. Assim, falamos a mesma língua: essa é a nossa "brasilidade"! Entendeu, entendeu...
Quando tocamos para cerca de 30 mil pessoas (recorde de público no festival de chocolate de Ribeirão Pires, onde alguns dias antes uma dupla sertaneja com milhões de cds vendidos e mais de vinte anos de carreira se apresentara) ou para 30 estudantes acampados em protesto contra o descaso que é dado às universidades estaduais, estamos tentando fazer a nossa parte.
VEJA: O TM é apenas uma amostra pequenina de que o interesse popular pode pautar, sim, as redações e a programação das rádios e TVs. Mesmo que sejamos atacados por um ranço "direitóide" e raivoso. No fim, tudo que foi dito é muito bom. Só que foi passado de forma enviesada.
Agora, até certo ponto, eu gostei da matéria: o excesso de reticências, aspas e ironias aqui são uma homenagem singela à ela (esse também, cac, cof...).
Que venham mais e mais reportagens.
PS.: Você já está usando o seu poder??? Espalhe esse texto e outros por aí!!! Se for por uma boa causa: INCOMODE.
Bjs e abraços...
Galdino!


















